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Ampliação das renováveis eleva competitividade do país

O Brasil é protagonista na área de energia e tem o potencial de ampliar a participação de fontes renováveis em sua matriz para ser ainda mais competitivo e alinhado aos critérios ESG e, com isso, contribuir para que as empresas se tornem mais competitivas.

A avaliação foi feita por Nelson Al Assal Filho, diretor de normalização da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), durante 8º Fórum de Infraestrutura Grandes Construções, que tratou do tema “Oportunidades e Desafios do Setor de Energia no Brasil”, no dia 25 de agosto.

Fabiane Ferrão, gestora da Unidade de Negócios Renováveis da TRACTEBEL Engie, também comentou sobre o assunto e destacou que as renováveis permitiram que o setor industrial reduzisse seus custos com energia.

“Em alguns casos, fizeram também com que o segmento se tornasse independente produzindo sua própria eletricidade, com a possibilidade de vender os excedentes dessa produção, ganhando uma renda adicional e obtendo um impacto ambiental positivo”, relatou.

Contudo, para Felipe Gonçalves, superintendente de Pesquisa da FGV Energia, no curto prazo, o setor elétrico ainda precisará dos recursos fósseis, mesmo expandido o uso das renováveis. O sistema hidrotérmico – fonte hídrica complementada com termelétricas a gás natural – ainda será majoritário.

Já Manoel Ribeiro, superintendente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Álya Construtora, a fonte hidrelétrica é a bateria e a base do sistema. Por isso, outras usinas hidrelétricas serão feitas na região da Amazônia, que ainda possui muito potencial a ser explorado.

“Não se pode abrir mão de outras hidrelétricas, porque estaria aumentando o despacho da energia térmica, acarretando em preços e custos mais altos, não atendimento aos compromissos da COP e aceleração das emissões de dióxido de carbono”, explicou.

Do seu ponto de vista, a diversificação da matriz contribui para ampliar a capacidade do país, para o atendimento à população, para a competitividade da indústria e para um preço adequado da energia.

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Solar é a fonte com o maior número de incentivos no 1º semestre

O MME (Ministério de Minas e Energia) aprovou, no primeiro semestre deste ano, 153 projetos de geração como prioritários para fins de emissão de debêntures incentivadas e o enquadramento de outros 221 projetos de energia elétrica no REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura).

Em ambas as categorias de incentivo, a fonte solar fotovoltaica foi a que teve o maior número de projetos aprovados: 79 de emissão de debêntures incentivadas e 144 no REIDI, o que representa 51,6% e 65,1% do total, respectivamente. As informações foram reveladas com exclusividade ao Canal Solar.

Outras fontes de energia também receberam aprovações nos dois modelos de incentivo, com destaques para as usinas de geração de energia eólica (48) e térmica (22).

Bernardo Marangon, diretor da Exata Energia e engenheiro com experiência em projetos de energia, avalia que os números demonstram que a solar será a fonte do futuro do país, sobretudo com o crescimento dos sistemas com armazenamento.

“Realmente, vai ser a fonte de maior destaque no futuro, porque existe uma facilidade muito grande para desenvolver e construir projetos deste tipo, em razão da grande quantidade de áreas disponíveis que o país possui”, explica.

Segundo ele, com a popularização dos sistemas com armazenamento vai tornar a exploração da solar algo bastante otimizado. “Sem armazenamento, a solar ainda não consegue sozinha resolver o problema da energia do mundo”, disse ele.

“Sinceramente, eu não vejo nenhuma outra tecnologia conseguindo chegar nesse tamanho. A eólica, por exemplo, tem uma limitação em relação à dificuldade de se desenvolver projetos e encontrar locais mais adequados para sua implantação, enquanto que a solar pode ser centralizada ou distribuída. Então, esses números vão continuar assim, com a solar estando à frente das demais”, ressalta o executivo.

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Feitosa e Mosna assumem comando da ANEEL com agenda desafiadora

Tomaram posse nesta segunda-feira (15) dois integrantes do novo Colegiado da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica): o diretor-geral, Sandoval Araújo Feitosa Neto e o diretor Fernando Mosna.

Durante a cerimônia de posse, realizada no auditório do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília (DF), Feitosa enfatizou a importância do diálogo no setor e a satisfação do consumidor.

Entre as prioridades defendidas por Mosna está a obtenção de um patamar adequado de modicidade tarifária. Segundo ele, é preciso garantir uma regulação equilibrada, com aprimoramento das normas regulatórias em relação ao mercado livre e modernização do setor.

Os dois novos diretores chegam para auxiliar em diversos processos importantes e complexos, como aprimorar o acesso à transmissão no cenário de expansão de geradores renováveis, aperfeiçoar a regulamentação da apuração das perdas técnicas regulatórias e elaborar a valoração da GD (geração distribuída), que deverá ser estabelecida pela ANEEL com base nos custos e benefícios do segmento, respeitando as diretrizes do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

Quem são os novos diretores?

Ex-diretor da ANEEL e servidor de carreira, Feitosa iniciou no setor como Eletricista formado pelo SENAI-PI e Técnico Eletrotécnico formado pela Escola Técnica Federal do Piauí. Trabalhou na coordenação de equipes técnicas de manutenção da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) e como gerente técnico da Cemar (Companhia Energética do Maranhão).

Também foi superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão, superintendente de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade e assessor da Diretoria. Representando a Agência, Sandoval foi diretor da ABAR (Associação Brasileira de Agências de Regulação), de 2018 a 2020.

Mosna ingressa no Colegiado na vaga decorrente do término do mandato de Efrain Cruz. Procurador Federal da AGU (Advocacia-Geral da União) desde 2012, Mosna atuou nos últimos três anos como assessor no Senado Federal e foi advogado na Petrobras de 2010 a 2012, além de ter sido advogado na CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro).

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Por que precisamos ter atenção aos “órfãos do solar”?

Quem trabalha no mercado de energia solar fotovoltaica certamente já ouviu algum caso de cliente que ficou sem atendimento porque a empresa revendedora fechou ou conhece casos de fabricantes e distribuidores que saíram do mercado.

O cliente não quer comprar de uma empresa que pode não existir no futuro. O mercado vem chamando esse fenômeno de “órfãos do solar”. É preocupante que o mercado perca clientes e, principalmente, que as pessoas percam a confiança no mercado fotovoltaico como um todo.

A origem do nome está nos clientes finais, consumidores, que ficam sem suporte, mas o movimento atinge toda a cadeia, com revendedores, distribuidores, fabricantes. Uma empresa instaladora também pode ficar órfã de uma fabricante ou distribuidora. Esse fenômeno das empresas saírem do mercado ao longo do tempo tem vários motivos.

Entre os principais estão o crescimento da concorrência, a guerra de preços, o sacrifício das margens de lucro, o aumento do passivo das empresas e a dificuldade de gestão dos recursos.

Os “órfãos do solar” já são mais frequentes em mercados mais maduros. Para se ter uma ideia, entre 2000 e 2016, 8,7 mil empresas instalaram sistemas fotovoltaicos nos Estados Unidos. Mas em 2016, apenas 2,9 mil dessas empresas ainda estavam ativas. Ou seja, em 16 anos, o mercado perdeu dois terços das empresas do setor. Na Austrália, pelo menos 30% dos sistemas estão órfãos. Em alguns casos, a instalação foi tão malfeita que o cliente não consegue outra empresa para cuidar.

Quando uma empresa vende um sistema sem considerar na margem tudo que é necessário, e em alguns casos até pelo valor de seu custo, aumenta demais o risco. A falta de experiência com negócios, e em especial com as finanças, pode levar a uma precificação errada.

Outros fatores de quebra do negócio são o mau atendimento ao cliente, uso de equipamentos de baixa qualidade, ações legais, escolha de fornecedores (distribuidores e fabricantes) baseada apenas no preço e despreparo para estar no mercado.

O problema também pode estar na instalação. Muitos instaladores ainda não estão treinados e capacitados para atuar na área. Quando a empresa vende uma manutenção para o cliente, mas não está preparada para executá-la, acaba aumentando seu passivo, com altos custos de pós-vendas.

Por isso, investimos pesado no treinamento de profissionais, para tornar o mercado como um todo mais saudável. Precisamos ter essa preocupação com treinamento e capacitação se quisermos um mercado com crescimento sustentável.

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ONS registra seis recordes em geração de energia solar e eólica

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrou no último fim de semana, dias 23 e 24 de julho, seis novos recordes da geração de energia solar e eólica no Brasil.

Entre os resultados está a geração de energia solar no subsistema da região Nordeste, que no sábado (23), atingiu a marca de 1.118 MW em geração média. Trata-se de um volume que representa cerca de 10,3% da demanda regional. O recorde anterior era de 1.086 MW, no dia 20 de julho.

Em geração instantânea, o marco do subsistema foi de 3.107 MW, às 10h33 do último sábado, contra 2.985 MW no dia 20. Essa geração representa 31% da demanda regional.

Além do subsistema nordestino, outros recordes de energia solar foram contabilizados no SIN (Sistema Interligado Nacional), que apresentou um pico de geração instantânea de 4.194 MW, às 11h56 do último sábado. Esse registro representou 6,9% da demanda de todo o SIN. O recorde anterior registrado no último dia 20 deste mês, foi de 4.046.

Em geração média, o SIN ultrapassou os 1.451MW de 20 de julho, chegando a 1.484 MW, o que representou 2,3% da demanda de energia solar do sistema. ​

Já os dados sobre a energia eólica…

No domingo (24), o ONS registrou o primeiro recorde do ano de geração média de energia eólica no subsistema do Nordeste, onde foram computados 12.494 MW, contra 11.907 MW do último recorde, em 6 de agosto de 2021.

“Os registros de geração eólica ao longo do fim de semana representam mais de 120% da demanda do Nordeste. Em geração de energia instantânea, houve no domingo, o pico de 14.473 MW, às 22h12. O recorde anterior era de 14.167 MW, no dia 8 de julho deste ano”, destaca o ONS.

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Resolução é vital ao definir regras de segurança cibernética no setor de energia

No último dia 1º de julho, entrou em vigor a Resolução Normativa nº 964, de 14 de dezembro de 2021, da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que dispõe sobre regras de segurança cibernética a serem adotadas pelos agentes do setor de energia elétrica.

A resolução é extremamente importante, pois define as diretrizes a serem adotadas pelos agentes regulados do setor de energia visando à mitigação de riscos de segurança cibernética.

Sua aplicação se dá aos concessionários, permissionários, autorizados de serviços ou instalações de energia elétrica e às entidades responsáveis pela operação do sistema, pela comercialização de energia elétrica ou pela gestão de recursos provenientes de encargos setoriais, tendo como objetivo mitigar os riscos relacionados a incidentes de segurança cibernética no setor elétrico.

Neste contexto, os principais riscos relacionados à segurança cibernética incluem eventual interrupção no suprimento de energia, a impossibilidade de realização de operações técnicas pelos agentes regulados e possível extravio de dados.

Em relação aos riscos relacionados à continuidade das operações, vale lembrar do ataque cibernético do tipo “ransomware” sofrido no ano passado pela Colonial Pipeline, uma das maiores redes de oleodutos dos Estados Unidos. Essa ação resultou na paralisação das operações da empresa, fazendo com que o governo norte-americano declarasse estado de emergência em 17 estados, em decorrência da interrupção do fluxo de combustível.

A Resolução 964 apresenta diretrizes para atuação dos agentes regulados em segurança cibernética. Tais diretrizes incluem, dentre outras, a necessidade de adoção de normas, padrões e referências de boas práticas em segurança cibernética e a atuação dos agentes para identificar, diagnosticar e responder a incidentes cibernéticos, bem como disseminar a cultura de segurança cibernética.

Para tanto, a resolução aponta a necessidade de que os agentes regulados possuam uma Política de Segurança Cibernética, que deve ser aderente às diretrizes estabelecidas na regulação, compatível com a sensibilidade dos dados e das informações sob responsabilidade do agente e com a relevância da instalação no contexto do SIN (Sistema Interligado Nacional). Para que a Política de Segurança Cibernética esteja alinhada ao disposto na resolução, ela deve prever, dentre outros aspectos: critérios para a classificação dos dados e informações utilizados pelo agente, de acordo com sua relevância; procedimentos e controles para reduzir a vulnerabilidade a incidentes; e a adoção de medidas técnicas para garantir a segurança e rastreabilidade de informações críticas.

Adicionalmente, a resolução estabelece obrigações específicas para os agentes regulados, como, por exemplo, que seja designado um responsável pela Política de Segurança Cibernética, bem como que esse regimento seja aprovado pelo Conselho de Administração do agente (podendo ser único para todo o grupo econômico) e revisado periodicamente.

Outro aspecto importante destacado pela resolução é o dever de o agente regulado disseminar internamente, entre seus colaboradores, a cultura de segurança cibernética, principalmente por meio da implementação de programas de capacitação e da adoção de medidas para a conscientização e educação sobre aspectos de segurança cibernética.

Sobre incidentes cibernéticos, a resolução exige que a Política de Segurança Cibernética defina os parâmetros a serem utilizados na avaliação da relevância dos incidentes cibernéticos, bem como estabeleça procedimentos para prevenção, tratamento e resposta a tais incidentes, o que pode ser feito, por exemplo, por meio da elaboração de um plano de resposta a incidentes.

Além disso, é estabelecida a obrigação dos agentes de notificar a equipe de coordenação setorial designada em caso de incidentes cibernéticos de maior impacto (como definidos na Resolução), que afetem de maneira substancial a segurança das instalações, a operação ou os serviços aos usuários ou de dados.

Como se pode observar, a resolução apresenta um framework básico a ser implementado pelos agentes regulados do setor elétrico, com o objetivo de minimizar o risco sistêmico decorrente de um possível incidente cibernético, desenvolvido em conexão com a Estratégia Nacional de Segurança em Infraestruturas Críticas, estabelecida pelo Decreto n° 10.569/2020.

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Brasil instalou 1,48 mil sistemas FV por dia no primeiro semestre

O Brasil registrou mais de 267,8 mil sistemas de energia solar instalados no primeiro semestre de 2022 em imóveis residenciais, comerciais, industriais, rurais e relacionados ao Poder Público.

Trata-se de uma média de cerca de 1,48 mil unidades conectadas à rede por dia, segundo levantamento realizado pelo Canal Solar, com base em dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O número supera em mais de 35% o volume de 172,4 mil sistemas fotovoltaicos instalados no país no segmento de GD (Geração Distribuída) no mesmo período do ano anterior, ou seja, entre os meses de janeiro e junho de 2021.

No primeiro semestre de 2022, os estados com o maior número de instalações foram: São Paulo (53.978), Minas Gerais (37.673) e Rio Grande do Sul (37.024). Juntas, as três localidades somaram quase metade de todas as conexões que foram realizadas no período.

Outro ponto a se observar foi a alta procura pela tecnologia por parte dos consumidores residenciais, que sozinhos foram responsáveis por mais de 82% das instalações contabilizadas nos primeiros seis meses do ano. Ao todo, foram mais de 220,4 mil instalações contabilizadas, contra 137,8 mil em relação ao mesmo período do ano passado.

Explicações

Os principais motivos que explicam o aumento da procura por painéis solares no país, sobretudo em imóveis residenciais, são: a maior popularização da tecnologia, a conta de luz cada vez mais cara e o receio de parte dos consumidores com as novas regras de compensação da GD.

“O fato das pessoas estarem conhecendo cada vez mais a energia solar, somado a todos os problemas energéticos que o país vem enfrentando, sem dúvidas, faz com que os consumidores passem a querer ter a tecnologia instalada em seus imóveis”, avalia Gustavo Tegon, especialista em vendas e co-fundador da Esfera Solar.

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Por que decidi trocar meu carro a diesel por um elétrico?

Governo francês desenvolveu medidas para auxiliar a compra de carros elétricos.

A escolha de um novo automóvel envolve vários fatores que irão nos influenciar em uma decisão final, desde o preço, vantagens, modelo e economia. Até pouco tempo atrás, esses eram os únicos fatores que contavam na hora da escolha, mas a partir de quando a opção da mobilidade elétrica deve entrar no hall de fatores importantes? Desde já!

Há pelo menos 3 anos, as questões climáticas têm se tornado tema constante e persistente em minha casa. As mudanças começaram com pequenas coisas, como a forma de descartar o lixo, reciclável e não reciclável, o uso de composteiras para o lixo orgânico, a troca de água mineral em garrafas de plásticos, ainda que não 100%, para o uso do filtro em barro, assim como a diminuição do consumo de produtos desnecessários que pudessem aumentar o nosso lixo não reciclável.

Somos uma família de cinco pessoas, dois adultos e três crianças, e tínhamos dois carros a diesel, que rodavam no mínimo 30 quilômetros, cada, diariamente. Apesar das boas intenções nas atitudes em casa, da porta para fora estávamos poluindo tanto quanto os outros, e isso nos incomodava.

Com a chegada da pandemia e os rastros de consequências que ela trouxe, como o aumento do preço do combustível e o aumento na eletricidade e no gás, colocamos os números na ponta do lápis e decidimos que estava na hora de mudar algo.

Vivo na França, na região de Moselle, fronteira com o Sarre, na Alemanha. Aqui, a circulação entre os dois países é diária e comum, ao ponto de os governos dos dois países desenvolverem leis e acordos válidos apenas para essa região, pela quantidade de trabalhadores pendulares, assim como estudantes que habitam os dois lados.

Viver nessa área me permite duas coisas: pagar menos impostos na França e usufruir dos preços mais baixos nos supermercados alemães, por exemplo. Uma espécie de equilíbrio econômico. Apesar de morar na França, sempre abasteci meu carro na Alemanha, pois, até o início do ano passado, ainda era possível pagar 1,09 euros pelo litro do diesel, muito abaixo do preço de 1,49 euros que era oferecido aqui na França.

No entanto, as coisas começaram a mudar de uns meses pra cá, especialmente após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que colocou os países europeus em estado de alerta com relação também à dependência do gás e do petróleo vindos da Rússia. Em outubro de 2021, a Alemanha ultrapassou seu próprio recorde no preço do litro do diesel, chegando a uma média de 1,55 euros por litro.

Até o momento, o país só havia registrado um aumento tão alto em 2012, quando o diesel chegou a 1,54 euros o litro. A partir desse momento, os números subiram cada vez mais, chegando a alcançar 2,14 euros em março deste ano.

Quando os reajustes começam a pesar no bolso, chega a hora de agir. Como disse anteriormente, rodar 30 quilômetros diariamente com o diesel a quase 2 euros o litro estava insustentável. Aqui, iniciamos nossa busca para realizar algo que já almejávamos havia algum tempo: a compra de um carro elétrico.

Junto com a decisão chegaram as dúvidas a respeito. Como carregamos a bateria? Podemos fazer em casa ou apenas em pontos de carregamento? Irá aumentar muito nossa conta de energia? Quais são os tipos de cabo para carregar um carro elétrico?

Um mundo novo para nós, que só estávamos acostumados a outro tipo de veículo, mas essas inseguranças foram desaparecendo ao longo das nossas buscas por informações. Esse tipo de veículo não está entre os mais baratos, principalmente em se tratando de modelos mais novos. Então, como conseguir viabilizar a compra de um E-car?

Durante nossas buscas na internet e visitas a concessionárias, descobrimos que o governo francês desenvolveu medidas para auxiliar a compra de carros elétricos, para empresas ou pessoas físicas. Esse tipo de incentivo, apesar de cair como uma luva no momento atual, surgiu em 2020, como medida do governo para auxiliar o setor automobilístico, que passava por crise.

Através dessas medidas de auxílio, a França beneficia não apenas o setor de automóveis, mas tudo que colabora na diminuição de emissão de CO₂ , tirando os veículos mais poluentes de circulação, incentiva a compra de carros menos poluentes, sejam elétricos, híbridos ou movidos a combustíveis fósseis, desde que estejam dentro das normas e limites de emissão de carbono, fazendo assim o mercado girar.
Quais incentivos a França oferece e como funcionam?

Atualmente, o governo oferece alguns tipos de auxílios que dependem da necessidade de cada grupo. Por exemplo:

– Bônus ecológico: um benefício de até 6 mil euros na compra de carros novos com valor inferior a 45 mil. Para automóveis com valores entre 45 mil e 60 mil euros, esse benefício cai para até 2 mil euros. Tanto empresas como compradores privados podem receber o bônus;

– Primeira conversão: é uma opção para quem deseja entregar o seu carro a diesel ou gasolina como uma forma de “entrada” na compra de um carro elétrico, seja novo ou usado. Nesse caso, o seu carro anterior será entregue para destruição e você pode receber um bônus entre 2.500 e 5 mil euros na compra do seu novo veículo. O valor do benefício é definido de acordo com a renda anual do comprador;

– Bônus regional: engloba cidades com alta emissão de carbono, como Paris, ou metrópoles com certificado de baixa emissão de carbono, como Lyon. Os bônus aqui são definidos de acordo com as exigências e necessidades de cada região.

No meu caso, optamos pelo auxílio “primeira conversão”, na compra de um veículo elétrico de segunda mão. Para obter esse tipo de auxílio, o comprador precisa ter alguns requisitos, como ser maior de idade, morar no país, entregar o seu carro antigo para destruição, além da documentação que comprove sua renda.

Para famílias com renda abaixo de 13.489 euros, o benefício pode ser concedido até o valor máximo, que é de 5 mil euros. No caso de rendas anuais iguais ou superiores a esse montante, o valor do benefício cai para 2.500 euros. Atualmente, essas regras são as mesmas implantadas até 31/12/2022. No entanto, o governo já anunciou algumas mudanças que devem entrar em vigor a partir do dia 1 de julho.

A partir do próximo mês, quem desejar obter o bônus do governo na compra de um carro novo, elétrico ou híbrido, deve seguir as novas exigências. Dentre as novas regras estão:

– O padrão de emissão de CO₂ reduzido para um máximo de 20 g/km, o que anteriormente era de 50g/km;

– Redução do valor do bônus a partir do primeiro de julho. Para veículos com um custo de aquisição inferior a 45 mil euros, haverá uma redução de 1000 euros no bônus, de 6 mil para 5 mil euros, em caso de pessoa física. Para as empresas, o valor do subsídio cai de 4 mil para 3 mil euros.

Para quem ainda deseja usufruir do bônus antes da alteração, poderá encomendar seu veículo até 30 de junho, e contratos de compra ou aluguel finalizados até 30 de setembro também poderão utilizar o bônus antes da redução, prevista para 1 de julho.

No caso do bônus de primeira conversão, que permite ao motorista substituir seu carro antigo por um carro mais novo e menos poluente, serão mantidas as mesmas condições e valores atuais até 31 de julho de 2022, até segundas alterações.

Depois de obter as informações a respeito do auxílio do governo, o segundo passo foi escolher o veículo. Já possuímos um carro de grande porte, com 7 assentos, o qual gostaríamos de manter, por isso decidimos entregar nosso carro menor, um Audi a diesel, e trocar por um do mesmo porte.

Optamos então por um Zoe, da Renault, modelo que custa entre 8 mil a 14 mil euros, quando usado. Após a escolha do veículo, entregamos à concessionária a documentação necessária para o requerimento do auxílio, que é feito diretamente entre o vendedor e a repartição do governo responsável.

Após a análise de documentos, como os comprovantes de imposto de renda dos últimos 2 anos, foi definido o valor do auxílio concedido, que foi de 2.500 euros. Esse montante, no entanto, foi transferido diretamente para a loja, que abateu esse valor no preço final do carro.

Com a aprovação, a própria concessionária se responsabilizou em transportar nosso antigo carro para ser levado para o depósito onde seria inutilizado. Documentações aprovadas, auxílio concedido, carro antigo entregue e negociação de pagamento, em um mês conseguimos concluir a compra.

É válido ressaltar que, para o carro que adquirimos, um modelo Zoe ano 2017, foi necessário fazer um contrato de aluguel de bateria, pois apenas os carros produzidos após 2020 já têm a bateria inclusa no preço da compra. Na hora de comprar um carro elétrico, você pode optar por alugar ou comprar a bateria. O fato é que a compra da bateria aumenta consideravelmente o valor total do carro, cerca de 7 mil até 9 mil euros a mais.

Quando você compra a bateria, talvez possa ter uma facilidade maior para vender o carro, futuramente, no entanto, a vida útil da bateria de um carro elétrico é entre 10 e 12 anos, e o custo de aquisição de uma bateria é equivalente a 100 meses de aluguel, ou mais de 8 anos de uso.

No caso do aluguel, o preço total cai, você tem garantia em caso de defeitos e pode renovar o contrato do aluguel ou cancelar, no caso que deseje vender o veículo. Frequentemente, os contratos de aluguel incluem serviços adicionais, como manutenção ou assistência. No nosso caso, optamos pelo aluguel da bateria, que é de no máximo três anos, podendo ser renovado. A decisão partiu da questão do tempo que desejamos ficar com o carro.

Como a ideia seria trocá-lo antes que ele perca valor no mercado, achamos que o alto investimento no preço da bateria não seria o ideal nesse momento. Outro fator foi a questão da garantia. Quando você compra bateria e ela vai perdendo a potência após um certo tempo de vida, você não tem garantia para troca. Em casos como estes, a opção será investir na compra de uma nova bateria ou partir para o aluguel.

Com o carro em mãos, chegou a hora de colocar em prática o que buscamos a respeito de ter um carro elétrico. Carregar em casa, em pontos gratuitos ou estações de carregamento pagas? Sim, você pode utilizar todas essas opções.

Tanto na França como na Alemanha é possível recarregar seu carro em bases gratuitas que estão distribuídas em estacionamentos de supermercados, lojas ou pontos distribuídos pela prefeitura da cidade. No meu caso, sempre utilizo as bases em estacionamentos de supermercado, o que é muito prático para mim.

Enquanto faço as minhas compras, meu carro fica carregando. Cada cliente pode carregar seu veículo por até uma hora, tempo suficiente para carregar a bateria do meu carro para um autonomia de até 130 km, se eu chegar com pelo menos 30 km já carregados, ou seja, durante esse tempo, posso carregar um total de 100 km.

A única desvantagem nessa opção é que você precisa escolher os horários menos movimentados, pois corre o risco de chegar e ter todas as bases ocupadas. No entanto, você pode ver no visor das estações quanto tempo ainda falta para cada carro concluir o carregamento e, caso não tenha pressa, pode esperar mais um pouco e conseguir uma vaga.

Outra opção são as estações para carregamento pagas. Elas estão em maior quantidade e espalhadas pela cidade, o que facilita quando você está com a bateria prestes a descarregar e não tem uma outra forma de carregar por perto. Existem várias operadoras que oferecem esse serviço, mas para utilizá-lo é necessário fazer um cadastro.

Primeiro, você precisa escolher a operadora na qual deseja se cadastrar. Algumas não cobram para produzir o cartão de cliente, já outras cobram uma pequena taxa. Normalmente, as empresas que oferecem o cartão gratuito costumam ter o preço do kWh mais alto do que o das demais – por isso é importante pesquisar bem antes de escolher uma das opções.

O preço do kWh, o equivalente a 6,86 km rodados, chega a custar 0,30 até 0,40 centavos de euros nas estações pagas na Alemanha. No entanto, dependendo da operadora e do pacote de serviços que você paga, esse valor pode cair. A vantagem desse tipo de sistema é que você não tem limite de tempo para carregar seu veículo.

Algumas pedem que os clientes utilizem as bases por no máximo quatro horas, tempo após o qual normalmente a bateria já está totalmente carregada, dependendo também da potência da estação. Carregar em casa é, claro, mais confortável, mas vale a pena? Neste caso precisamos fazer uma comparação com o carro anterior.

Com o carro a diesel, gastávamos cerca de 142,50 euros por mês para rodar 1000 km. Com a compra do elétrico, vimos o consumo da nossa conta mensal de energia dobrar de 204 kWh para 406 kWh. Em moeda, isso quer dizer que passamos a pagar cerca de 25,52 euros a mais do que anteriormente, para um valor de 0,17 centavos de euro por kWh, dentro da França.

No entanto, precisamos levar em consideração o valor do aluguel da bateria, que custa 79 euros. Com isso, por mês, circulando 1000 km com o carro elétrico, gastamos um total de 104,52 euros, ou seja, 37,98 euros a menos do que os gastos com o carro a diesel.

O preço do kWh, o equivalente a 6,86 km rodados, chega a custar 0,30 até 0,40 centavos de euros nas estações pagas na Alemanha. No entanto, dependendo da operadora e do pacote de serviços que você paga, esse valor pode cair.

A vantagem desse tipo de sistema é que você não tem limite de tempo para carregar seu veículo. Algumas pedem que os clientes utilizem as bases por no máximo quatro horas, tempo após o qual normalmente a bateria já está totalmente carregada, dependendo também da potência da estação.

Carregar em casa é, claro, mais confortável, mas vale a pena? Neste caso precisamos fazer uma comparação com o carro anterior. Com o carro a diesel, gastávamos cerca de 142,50 euros por mês para rodar 1000 km. Com a compra do elétrico, vimos o consumo da nossa conta mensal de energia dobrar de 204 kWh para 406 kWh. Em moeda, isso quer dizer que passamos a pagar cerca de 25,52 euros a mais do que anteriormente, para um valor de 0,17 centavos de euro por kWh, dentro da França.

Ao todo, uma economia de cerca de 40 euros e algumas vantagens a mais, como possibilidade de recarregar a bateria de forma gratuita, preço do veículo através do subsídio do governo e por último (diria que até mais importante): zero emissão de CO₂.

Outro fator importante é a redução de gastos com manutenção, pois veículos elétricos não precisam de troca de óleo, têm menos desgastes dos freios e não têm necessidade de substituição de sistemas de embreagem.

Segundo o IFA (Instituto de Economia Automotiva), através de um estudo da Universidade de Ciências Aplicadas de Nütringen-Geislingen, os gastos com oficina podem ser até 35% inferiores nos carros elétricos em comparação com os carros comuns.

De acordo com a pesquisa, em um período de oito anos, em carros que percorrem cerca de 8 mil quilômetros por ano, os custos de manutenção de automóveis com motores de combustão foram calculados em um total de 3 650 euros. Nos carros elétricos, esse valor é de apenas 2 350 euros.

Com o carro anterior, a diesel, tínhamos um gasto anual de cerca de 200 euros, com a inspeção de controle do TÜV e eventuais trocas de óleo, velas ou filtro. Com o carro elétrico, que dispensa qualquer necessidade de reparo como as citadas anteriormente, o previsto é que o gasto anual, fixo, se limite ao controle técnico, que custa cerca de 80 euros.

Há cinco meses utilizando o carro elétrico, só tenho pontos positivos com relação a essa escolha. Para mim e para minha família, isso foi um passo a mais na busca de cooperar com a transição energética que a Europa vive, além de mostrar aos nossos filhos como o desenvolvimento de tecnologias no setor de energias renováveis é importante para um clima futuramente melhor.

Segue relato da jornalista Daniele Haller, para o Canal Solar. Ela vive na Europa há 12 anos e é correspondente de diferentes canais de comunicação no Brasil.

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