Energia solar ultrapassa 55 GW e chega a 5 milhões de UCs no Brasil
A energia solar acaba de atingir a marca de 55 GW de potência instalada no Brasil, segundo balanço divulgado pela ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), sendo 37,4 GW na geração distribuída e 17,6 GW na geração centralizada.
O crescimento do setor também se reflete no número de consumidores atendidos: quase simultaneamente à nova marca, a fonte solar passou a abastecer cinco milhões de UCs (unidades consumidoras) em todo o território nacional.
Atualmente, a energia solar já representa 22,2% de toda a capacidade instalada da matriz elétrica nacional, sendo a segunda maior fonte. A tecnologia perde apenas para as usinas hídricas, que detém mais de 40% do volume total.
Ao todo, a fonte solar já evitou a emissão de 66,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono. O setor também foi responsável por atrair mais de R$ 251,1 bilhões em novos investimentos, gerar mais de 1,6 milhão de empregos e arrecadar cerca de R$ 78 bilhões aos cofres públicos.
–Desafios
Apesar do relevante crescimento da última década, a ABSOLAR afirma que o setor tem enfrentado grandes desafios que “prejudicam a aceleração da transição energética sustentável no país”.
Entre os principais gargalos identificados, estão a falta de ressarcimento aos empreendedores pelos cortes de geração renovável e os obstáculos de conexão de pequenos sistemas de geração própria solar, sob a alegação de inversão de fluxo de potência.
“Se não fossem esses entraves, o setor poderia contribuir ainda mais na sustentabilidade e atender um volume maior de consumidores, de todos os perfis, que buscam economia, independência e autonomia. No caso das grandes usinas solares, a ausência de ressarcimento pelas regras da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) para os cortes de geração traz insegurança jurídica e maior percepção de risco”, destacou a associação.
Para isso, a ABSOLAR chama a atenção do mercado para a necessidade de aprovação do Projeto de Lei nº 624/2023, que institui o REBE (Programa Renda Básica Energética).
“Além de beneficiar famílias em condição de pobreza energética, este projeto atualiza a Lei nº 14.300/2022, corrigindo restrições de conexão às redes de distribuição, que atualmente inviabilizam milhares de sistemas de geração distribuída solar e prejudicam o direito do consumidor de investir em seu sistema de geração própria solar”, afirmou Rodrigo Sauaia, CEO da entidade.
–Oportunidades
Apesar dos desafios, a ABSOLAR destacou que a participação da geração própria solar ainda é pequena, de cerca de 5%, frente às 93,9 milhões de unidades consumidoras de energia elétrica no mercado cativo brasileiro, o que contribui para um ambiente favorável para investimentos.
“Com a queda de mais de 50% no preço dos painéis solares nos últimos dois anos, vivemos o melhor momento para se investir em sistemas fotovoltaicos em residências, empresas e propriedades rurais. E ainda há um enorme potencial de crescimento do uso da tecnologia fotovoltaica”, disse Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da associação.
De acordo com Sauaia, a energia solar ajuda a reduzir o uso da infraestrutura de transmissão, alivia a pressão sobre a operação e diminui as perdas em longas distâncias, o que contribui para a confiabilidade e a segurança em momentos críticos como verificado neste início de ano, de calor elevado e alta demanda por energia elétrica no Brasil.
“O avanço da energia solar também amplia o protagonismo do Brasil na geopolítica da transição energética global, sendo uma das fontes mais competitivas e a mais democrática. E contribui fortemente para o desenvolvimento social, econômico e ambiental, em todas as esferas da sociedade”, acrescentou o executivo.