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Governo planeja transição de ex-tarifários por sistema de cotas após reunião entre INEL e MDIC

Após uma reunião realizada nesta sexta-feira (27) entre o INEL (Instituto Nacional de Energia Limpa) e o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), o Governo Federal planeja encaminhar a transição dos ex-tarifários por meio de um sistema de cotas. Durante o encontro, discutiu-se a transição em relação às revogações dos ex-tarifários de módulos fotovoltaicos.

A reunião contou com a participação de representantes do MDIC, incluindo Uallace Moreira Lima, Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços; Margarete Maria Gandini, Diretora do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Alta-Média Complexidade Tecnológica – DIAM; Tólio Edeo Ribeiro, Coordenador-Geral das Indústrias de Metalurgia e Celulose do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Insumos e Materiais Intermediários; e Gustavo Tavares da Costa, Assessor da Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços – SDIC.

Pelo INEL, estiveram presentes Heber Garlace, Presidente do INEL; Wladimir Janousek, Secretário de Indústria e Comércio; e Renata Reges, Secretária Administrativa.

O INEL já havia apresentado uma proposta para adiar as revogações dos ex-tarifários ainda em uso pelo mercado, e a proposta foi detalhada durante a reunião, destacando as demandas de projetos de geração de energia fotovoltaica até 2025.

Na proposta do INEL, também foram destacados os desafios para o pleno desenvolvimento da indústria de fabricação nacional de módulos, de forma que a cadeia produtiva se capacite e possa ser elegível para fornecer produtos fabricados no Brasil aos projetos de energia solar.

O secretário Moreira informou que o MDIC não deseja criar rupturas e tem avaliado a evolução do tema em várias frentes e que as propostas para fortalecer a indústria e preservar a continuidade do crescimento dos projetos de geração de energia solar são essenciais para a consolidação do setor.

Janousek comentou que a proposta apresentava a relação dos ex-tarifários que estão em uso pelo mercado e que eram o principal objeto do pedido de postergação.

“Após discussões adicionais sobre as dificuldades e oportunidades do segmento solar no país, o MDIC confirmou que deve encaminhar a proposta de transição dos ex-tarifários por meio de um sistema de cotas, com volumes e prazos a serem definidos em coordenação com o Ministério”, informou Janousek.

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Ano de 2023 já conta com mais de 500 mil sistemas de GD solar

No Brasil, o ano de 2023 ultrapassou a marca de 500 mil sistemas de geração de energia solar instalados no segmento de GD (geração distribuída), mostram dados atualizados pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

De acordo com o Órgão Regulador, entre os dias 1º de janeiro e 23 de outubro, foram mais de 497,7 mil conexões contabilizadas em microgeração (com até 75 kW de potência) e 11,6 mil de minigeração (entre 75 kW e 3 MW).

Este já é o segundo melhor resultado anual da história do segmento – que, por enquanto, perde apenas para o mesmo período do ano passado. Em 2022, foram pouco mais de 609 mil sistemas de GD solar conectados entre 1º de janeiro e 23 de outubro.

Conforme esperado, os consumidores residenciais são os que lideram o uso da energia solar distribuída em quantidade de sistemas conectados à rede (387 mil) em 2023. Em seguida, vêm os pequenos negócios dos setores de comércio e serviços, com 53 mil conexões.

Entre os estados, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Bahia foram os que mais instalaram sistemas de GD solar no ano, com 83,9 mil; 58,1 mil; 46,8 mil; 37,5 mil; e 26,3 mil, respectivamente.

Todos esses dados apresentados apenas reforçam o interesse dos consumidores brasileiros em gerar a sua própria energia, a fim de não ficarem mais reféns dos consecutivos aumentos que vem ocorrendo há anos nos preços das tarifas de energia.

Vale lembrar que, especificamente em 2023, o mercado brasileiro de energia solar distribuída enfrentou um primeiro semestre desafiador em razão de uma série de fatores, como a alta taxa de juros altos (quase três vezes acima da inflação) e a dificuldade para aprovação de crédito junto a bancos e instituições financeiras.

Para analistas do mercado, se não fossem esses fatores, o segmento estaria apresentando, neste ano, números ainda melhores em relação aos atuais.

Somando o total de sistemas fotovoltaicos de GD instalados desde o início da expansão da fonte no Brasil, já são mais de 2 milhões de conexões em operação e que, juntas, beneficiam mais de 3,1 milhões de unidades consumidoras em todo o país.

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Usina solar fornecerá energia para três terminais de ônibus em São Paulo

A ViaMobilidade, operadora da Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo, iniciou a operação de uma usina solar instalada no telhado do terminal Guido Caloi, anexo à estação Santo Amaro. Ocupando um espaço de 300 metros quadrados, os 196 painéis fotovoltaicos têm capacidade de gerar até 11 megawatts-hora (MWh).

Segundo a companhia, a usina fornecerá eletricidade para os sistemas de iluminação do terminal, tomadas, painéis de informação, entre outros. Além disso, parte da energia gerada será compartilhada com os terminais Campo Limpo e Capão Redondo, localizados na zona sul de São Paulo.

O projeto foi desenvolvido com o objetivo de promover o uso racional de energia elétrica e contribuir com ações de sustentabilidade. O valor do investimento não foi divulgado.
Projetos de uso de energia solar no sistema metroferroviário são uma aposta na redução do consumo e do custo de operação. O Metrô e a CPTM possuem estudos de implantação de plantas geradoras de energia em algumas estações.

Na linha 9-Esmeralda, também operada pela ViaMobilidade, as estações Cidade Jardim e Vila Olímpia contam com painéis solares que auxiliam na alimentação elétrica.

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Cresce o uso da energia solar nos estados do Acre e Rondônia

O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) autorizou na semana passada o acionamento das termelétricas Termonorte 1 e 2, que juntas somam pouco mais de 410 MW de potência, para reforçar o suprimento de energia elétrica nos estados do Acre e Rondônia.

A decisão foi necessária por causa do desligamento da hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW), cuja operação precisou ser interrompida devido à seca que reduziu pela metade a vazão do Rio Madeira (RO) neste ano.

Essas termelétricas têm um custo de operação muito superior ao das hidrelétricas e das renováveis, além de utilizar o óleo diesel como combustível, extremamente poluente por emitir gases causadores do efeito estufa.

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) trabalha para regularizar a operação das duas usinas, que estão em outorgas, descontratadas e não possuem contrato de conexão com a rede de transmissão, segundo entrevista do diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, ao Valor Econômico. Ainda não há previsão de quando as usinas entrarão em operação.

Por outro lado, a energia solar está em expansão nos dois estados do Norte do país, com cada vez mais consumidores procurando gerar a própria energia limpa e renovável.

Levantamento feito pelo Canal Solar, com base em dados da ANEEL, aponta que o número de sistemas fotovoltaicos em operação no Acre e em Rondônia cresceu, respectivamente, 27,34% e 28,15% na comparação de 2022 com o ano anterior.

Rondônia é 22º estado em potência instalada de energia solar no ranking da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar), com 247,3 MW de capacidade. No total, são 19.186 sistemas, sendo que todos os 52 municípios rondonienses têm ao menos uma unidade gerando a própria energia. De janeiro a outubro, 4.311 sistemas foram adicionados, somando 58,3 MW.

Já o Acre ocupa a 25ª posição no ranking, com 63 MW e 5.029 sistemas espalhados em 21 dos 22 municípios do estado. Em 2023, foram 1.114 sistemas adicionados ou 17,5 MW.

A produção própria de energia vem crescendo em todo o Norte país, região onde as revisões tarifárias das concessionárias de energia têm elevado consideravelmente a conta de luz da população.

No Norte, há 131.402 sistemas de energia solar, somando 1.564 MW. Em 2022, foram instalados 44.436 unidades de geração distribuída, crescimento de 63% em relação a 2021. Até o início de outubro, foram instalados 38.892 sistemas na região, somando 476,9 MW, potência superior ao das duas termelétricas a óleo diesel.

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Transição energética exigirá mais de US$18 tri em investimentos até 2030, diz BCG 

Novo estudo realizado pelo BCG (Boston Consulting Group) mostra que a indústria precisará investir mais de US$ 18 trilhões em infraestrutura industrial e fontes de energia renovável, como eólica e solar, para que as metas para a redução de carbono sejam alcançadas.

De acordo com dados do BCG, as políticas atuais indicam que o aumento da temperatura pode atingir até +2,7°C até 2100. Para limitar o aquecimento global a apenas 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, é necessário acelerar a adoção de energias renováveis e outras soluções de baixo carbono.

“Mais de 775 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso à eletricidade e, ao mesmo tempo, as sociedades precisam de mais de 20 MWh de energia per capita para alcançar altos índices de prosperidade, que é calculado a partir da riqueza, crescimento econômico, bem-estar e qualidade de vida em um país. Para chegar nesses pontos, precisamos acelerar, o quanto antes, a substituição e a redução do uso dos combustíveis fósseis”, alertou André Pinto, diretor executivo e sócio sênior do BCG.

Além disso, a pesquisa também revelou que dos US$ 37 trilhões necessários para impulsionar a transição energética, empresas e governos se comprometeram a investir US$ 19 trilhões nos próximos sete anos, mas muito deste valor deverá ser direcionado ao desenvolvimento geral do mercado, além de não ser garantido.

A pesquisa também destacou, que até 2030, tecnologias comprovadas, como a eficiência energética; a eletrificação das necessidades finais (como veículos elétricos); a energia solar fotovoltaica e a energia eólica servirão como os principais fundamentos da transição.

“A maioria das ferramentas necessárias já está disponível, agora precisamos de políticas, compartilhamento de casos de sucesso e capacidade para que a transformação ocorra de fato”, disse o executivo.

“Os desafios da transição energética não devem ser subestimados, bem como as oportunidades que ela representa: no longo prazo, um sistema de energia com baixo impacto ambiental pode ser a resposta para problemas de hoje como sustentabilidade, acessibilidade e segurança energética”, finalizou.

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Consolidação: setor solar segue o caminho feito por mercados maduros

Com a alta demanda dos consumidores brasileiros por sistemas de energia solar verificada nos últimos anos, o setor fotovoltaico deve assumir patamares de crescimento mais estáveis nos próximos 12 meses, com maior procura por tecnologias sinérgicas de eletromobilidade, como carregadores de veículos elétricos, e baterias para armazenamento de energia combinado com painéis solares.

A análise é de Marcelo Abuhamad, CEO do Bonö Group, holding que reúne várias empresas da cadeia de valor de setor de energia no Brasil. Segundo o executivo, embora o setor tenha registrado crescimento de conexões este ano, resultado das vendas de 2022, o ritmo tem ocorrido de forma mais gradual em comparação com os períodos anteriores.

“Nos próximos anos, o setor de energia continuará crescendo e deve ser impulsionado também pela maior inserção da fonte solar na cadeia da matriz energética, pela facilidade e pela agilidade de implementação da tecnologia”, comenta.

“Ainda há muito espaço para as usinas crescerem no país, bem como há muito espaço para inovações no setor, mas esse crescimento ocorrerá de forma mais natural. A tendência é que haverá mais usinas, tanto centralizadas quanto distribuídas, cujos custos para implantação estão cada vez menores, melhorando o payback e o retorno financeiro projetado para as novas usinas. O horizonte de crescimento é enorme, pois há no país quase 100 milhões de unidades consumidoras e apenas 3 milhões abastecidas por sistemas fotovoltaicos”, acrescenta Abuhamad.

Para 2024, o executivo acredita que haverá mais atratividade e viabilidade para a eletromobilidade. “O mercado de energia renovável é de interesse internacional, por isso o apelo para tantas facilidades sendo destinados ao setor. E a expectativa é ampliar o uso da energia fotovoltaica não só para abastecer estabelecimentos e domicílios, mas também para pontos de recarga de veículos elétricos”, destaca.

Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), as vendas de veículos elétricos no país tiveram o melhor desempenho da história neste primeiro semestre. Foram mais de 32,2 mil emplacamentos de janeiro a junho de 2023, 20% do total de VLEs do Brasil. A frota total chegou a 158.678 VLEs até o final do primeiro semestre, atingindo um crescimento de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Tal crescimento é acompanhado pela maior presença de pontos de recarga. Segundo a ABVE, o total dos eletropostos no país foi de aproximadamente 3.200 unidades de carregamento público, até o final do primeiro semestre de 2023. E a perspectiva do setor é chegar em mais de 10 mil unidades até 2025, públicos e semipúblicos.

Abuhamad afirma ainda que esse mercado, já consolidado na Europa, está sendo cada vez mais incentivado e absorvido pelo resto do mundo. “O Brasil tem poder de capital de compra e acesso a crédito para manter o desenvolvimento de forma crescente. A tendência dos próximos anos é primeiro acentuar a mobilidade, a infraestrutura de carregamento veicular, e logo na sequência, o crescimento o uso de sistemas de armazenamento em banco de baterias”, afirma.

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Brasil registra recorde de expansão da energia solar em 2023

Mais de 88% da capacidade instalada na matriz elétrica brasileira neste ano têm origem nas fontes solar e eólica. De acordo com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), de janeiro até agora, a expansão da capacidade instalada da matriz elétrica foi de 7 GW, sendo que 6,2 GW foram solar (3 GW) e eólica (3,2 GW).

Este é o maior incremento da capacidade de geração solar centralizada da história no Brasil. Em 2022, por exemplo, o acréscimo no ano todo foi de 2,5 GW, inferior aos 3 GW registrados até o momento.
Energias renováveis

Ainda de acordo com a Agência, já são 18 mil painéis solares instalados em território nacional, capazes de produzir uma potência de 10,3 GW.

Importante frisar que este montante não considera a micro e minigeração distribuída – sistemas instalados nas residências, comércios, fábricas ou pequenas plantas conectadas diretamente na rede das concessionárias de distribuição.

Referente às outras fontes de energia renováveis, o SIN (Sistema Interligado Nacional) registra a presença de 954 turbinas eólicas, que representam 10,3 GW em valores nominais.

O potencial hidráulico do país também é amplamente conhecido. As 1.351 usinas hidrelétricas atualmente representam 56,17% da capacidade, com uma potência de 109,8 GW. Além disso, a biomassa é uma das fontes utilizadas pelo Brasil e responde por 16,7 GW, em 634 plantas.
Investimentos para energias renováveis

Conforme informado pelo Canal Solar, o setor de geração de energia deve ser impulsionado pelo novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ao todo, serão R$ 73,1 bilhões de investimentos em projetos de geração de energia, sendo R$ 64,8 bilhões destinados às fontes renováveis de energia.

As usinas de energia fotovoltaica responderão por 8,5 GW, mais da metade da geração de energia prevista pelo novo PAC. O valor de investimento previsto para essa modalidade é de R$ 41,5 bilhões.

A geração de energia eólica receberá R$ 22 bilhões, com 120 projetos. Os ventos serão responsáveis por acrescentar 5,2 GW ao sistema elétrico. Estão confirmadas novas 20 pequenas centrais hidrelétricas a um custo de R$ 1,3 bilhão.

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Projetos de energia solar zero grid precisam ser homologados?

Uma dúvida recorrente no mercado fotovoltaico é se os projetos de energia solar zero grid precisam ser homologados. Para responder esta pergunta, o Canal Solar conversou com Pedro Dante, sócio da área de energia e infraestrutura do Lefosse Advogados.

De acordo com ele, por se tratar de um tema novo, não existe um padrão sobre a necessidade ou não de homologação específica do sistema zero grid.

“Existem poucas distribuidoras que têm atualizado seus normativos para incluir disposições específicas sobre o tema, devendo cada interessado acompanhar a evolução dos normativos para acompanhar a evolução do tema”, explicou.
Sistemas zero grid não se enquadram como micro ou mini GD

No que se refere aos projetos de energia solar zero grid, cabe esclarecer, inicialmente, que trata-se de geração de energia sem que haja a respectiva injeção na rede local da distribuidora. Isto é, é um sistema que não é conectado à rede da distribuidora.

Em que pese a Lei nº 14.300/2022 e a Resolução Normativa nº 1.000/2021 não tratarem sobre os sistemas zero grid, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) emitiu o Ofício n° 149/2022 – SRD/ANEEL, de 8 de junho de 2022, o qual considera e ratifica que os sistemas zero grid não injetam energia na rede.

Sendo assim, não participam do Sistema de Compensação de Energia Elétrica, e, consequentemente, não se enquadram como micro ou minigeração distribuída, nos termos da Lei n° 14.300/2022.

“Ainda, caso a potência instalada seja até 5 MW, o sistema será caracterizado como uma central geradora de capacidade reduzida, ou seja, não é necessária a outorga do poder concedente para ser implantada (nos termos das Resoluções Normativas 875 e 876/2021)”, relatou Dante.

Segundo o advogado, a existência de tais usinas menores do que 5 MW (desde que não destinadas à geração distribuída), ainda que não conectadas ao sistema da distribuidora, deve ser comunicada à ANEEL para fins de registro (registro simplificado), consoante disposto na Lei n° 9.074/1995.

“Posto isso, tendo em vista que os sistemas de geração de energia solar do tipo zero grid não são caracterizados como geração distribuída nos termos da Lei nº 14.300/2022, deve haver a comunicação posterior à ANEEL sobre a implantação do sistema”, apontou.
Como é essa comunicação?

O especialista salientou o disposto no Ofício n° 149/2022, em que, para proceder com a conexão do sistema zero grid nas instalações da unidade consumidora, o interessado deve entrar em contato com a distribuidora local, a fim de que, diante da análise da distribuidora, seja garantido que não haverá a injeção de energia na rede e que não serão provocados quaisquer distúrbios ou danos ao sistema elétrico ou às pessoas.

Caso haja a injeção de energia à revelia, a qual resulte em problemas técnicos e de segurança para a rede, ou, até mesmo, a outros consumidores, a distribuidora poderá exigir:

Reembolso das indenizações relacionadas aos dados;
Instalação de equipamentos corretivos;
Pagamento das obras necessárias para correção do(s) distúrbio(s) ocorrido(s), e, até mesmo, suspender o fornecimento de energia, consoante disposições dos artigos 44 e 355 da Resolução Normativa ANEEL n° 1.000/2021.

Há um formulário ou procedimento bem definido?

No que se refere a comunicação à ANEEL para fins de registro, que ocorre após a instalação do sistema zero grid, ela é realizada no sistema do poder concedente, mediante o preenchimento do formulário online disponível no site da Agência Reguladora.
Requisitos técnicos do zero grid que a concessionária observa

Com relação aos requisitos que são observados pela concessionária de distribuição de energia elétrica, o sócio da área de energia e infraestrutura do Lefosse Advogados destacou a adequação do projeto às normas e padrões técnicos construtivos, orientações e requisitos específicos da distribuidora local, isto é, aos procedimentos e proteções aplicáveis aos empreendimentos.

Assim, dentre os requisitos que devem ser observados, está a instalação e construção de diversos equipamentos e instalações, desde que exigidos nas normas técnicas da distribuidora, dispostos no art. 30 da REN nº 1.000/2021, como:

Padrão de entrada de energia, de modo que seja possível a realização da leitura a partir da via pública ou a partir de acesso livre e irrestrito para a distribuidora, conforme padrão técnico da distribuidora;
Caixas, quadros, painéis ou cubículos destinados à instalação de medidores, transformadores de medição e outros aparelhos da distribuidora, necessários à medição e à proteção dessas instalações;
Compartimento destinado à instalação de equipamentos de transformação e proteção;
Equipamentos de proteção e sistemas de aterramento, observando os requisitos de cada tipo de padrão de entrada especificados nas normas técnicas da distribuidora.

“Também devem ser consideradas as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e as normas dos órgãos oficiais competentes, no que for aplicável e não contrariar à regulação da Agência Reguladora, segundo elencado no art. 29 da REN n° 1.000/2021”, acrescentou.
No caso de zero grid com baterias, há algum impedimento?

De acordo com Pedro Dante, a respeito do sistema de armazenamento de energia, caso se trate de uma usina solar com baterias de reserva pelo qual a energia elétrica armazenada na bateria é proveniente da fonte fotovoltaica ou de outras fontes, ressalta-se que as normas regulatórias/legislativas não dispõem sobre quaisquer impedimentos a esta modalidade. “Ou seja, não há diferenças no tratamento regulatório caso o sistema zero grid contenha baterias na nossa visão”.
Inversores zero grid estão definidos na Portaria 140 do Inmetro?

A resposta é sim. O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) publicou, no dia 30 de março de 2022, no DOU (Diário Oficial da União), a Portaria 140/2022 – o regulamento para equipamentos fotovoltaicos comercializados no Brasil.

Entre as principais novidades, estão, justamente, os inversores on-grid com baterias (híbridos), “e a maioria dos híbridos no mercado nacional possui a função zero export acoplada. Portanto, os inversores zero grid estão sim definidos na Portaria 140”, afirmou o engenheiro Geraldo Silveira, especialista em sistemas fotovoltaicos.

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