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Boletim InfoLink: preços dos módulos fotovoltaicos se estabilizam

Esta semana, os preços dos módulos estabilizaram temporariamente, segundo levantamento da Infolink Consulting. Para módulos monofaciais PERC de 182 mm, os preços se fixaram em RMB 0,9-1,03/W, se aproximando de RMB 0,92-0,93/W para novos pedidos.

Alguns fabricantes de módulos têm preços abaixo de RMB 0,9/W ou até mesmo RMB 0,85/W na mesa. Para módulos monofaciais PERC de 210 mm, os preços ficaram entre RMB 1,03-1,1/W, atingindo RMB 0,95-1/W para novos pedidos.

De acordo com a consultoria, a diferença de preço entre módulos de 182 mm e 210 mm gradualmente se estreitará após a conclusão dos pedidos e diminuirá lentamente no futuro.

Os preços de módulos TOPCon variaram de RMB 0,9/W a RMB 1,18/W. Os pedidos anteriores foram entregues a RMB 1,08-1,18/W esta semana.

Os fabricantes de módulos começaram a receber pedidos a RMB 0,98-1,05/W, potencialmente RMB 0,97-0,98/W. As negociações para os pedidos do próximo ano têm visto cotações de preços de RMB 0,9/W, mesmo RMB 0,88/W.

Já os preços dos painéis HJT permaneceram estagnados devido a preocupações com custos e ao mercado ainda em desenvolvimento. Os preços atualmente variam de RMB 1,25/W a RMB 1,35/W na China, enquanto se mantêm estáveis em USD 0,160-0,170/W nos mercados fora da China.
Preços das células apresentam leve queda

Os preços das células tipo P continuaram a cair esta semana, caindo 4-5% em relação à semana passada. Os preços de negociação das células M10 caíram na faixa de preço baixo da semana passada, principalmente em RMB 0,38/W. As células G12 foram negociadas a RMB 0,43/W após contínuas reduções de preços.

Para células M10 tipo N, os preços convencionais caíram ligeiramente para RMB 0,48-0,49/W esta semana. As células G12 HJT, principalmente para uso interno e menos para vendas externas, tiveram preços de 0,65-0,7 RMB/W para células de alta eficiência.

Devido ao declínio contínuo na demanda por produtos PERC 182 mm, a diferença de preço entre as células do tipo n e do tipo p aumentou, atingindo RMB 0,1/W.

Segundo a Infolink, na quarta-feira (13) a célula M10 estava sendo cotada em RMB 0,45/W. Ainda de acordo com a consultoria, com a queda dos preços dos wafers, os preços das células M10 TOPCon podem cair ainda mais na próxima semana.

Sobre estoque, a Infolink informou que os níveis de estoque variam entre os diferentes fabricantes de células. Alguns observaram um aumento lento no estoque, principalmente de céulas PERC, enquanto alguns mantiveram os níveis de estoque dentro de uma semana de produção devido a cortes drásticos na produção.

Devido à baixa lucratividade, a maioria dos fabricantes reduziu a produção de células PERC de 182 mm. Outros fabricantes modificam as linhas de produção para células retangulares de 183,75 mm, para as quais acreditam que a demanda do mercado permanece. Vários fabricantes fecharam linhas de produção obsoletas de PERC para evitar perdas de caixa.

“A falta de lucratividade em todo o setor leva os fabricantes a apresentarem estratégias e decisões variadas. Alguns reduziram ou encerraram a produção, enquanto outros utilizam as suas reservas de dinheiro para sustentar a produção e competir pela quota de mercado”, avaliou a Infolink.

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Congresso Brasileiro de GD movimentou mais de R$ 500 milhões em negócios

A 8ª edição do CBGD (Congresso Brasileiro de Geração Distribuída), que aconteceu em Belo Horizonte (MG) na última semana, reuniu diversos players do mercado e movimentou mais de R$ 500 milhões em negócios, segundo dados do Grupo FRG Mídias & Eventos, empresa organizadora do evento.

Tiago Fraga, CEO da empresa, explica que o encontro contou com uma série de novidades em relação às fontes renováveis, com destaque para a GD (geração distribuída), armazenamento da energia e a produção de hidrogênio renovável.

“O evento foi construído em 2016, quando ainda estávamos iniciando no setor. De lá para cá, essa trajetória foi construída e hoje já somamos mais de 20 eventos realizados nos últimos sete anos. Todos eles, voltados para a energia renovável e com foco muito grande na energia solar”, disse ele.

O profissional comentou também que os resultados obtidos durante o congresso mostram que o setor fotovoltaico nacional seguirá sendo um um dos principais propulsores do crescimento das fontes renováveis no país.

“Passamos por um ano, um tanto complicado por mudança de lei, por uma série de fatores que acabaram que mais negócios fossem feitos, empregos fossem gerados e é por isso que para compartilhar conhecimento, trazer informações relevantes vão ajudar o mercado a prosperar ainda mais nos seus negócios” analisou Fraga.

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Ano de 2023 já conta com mais de 500 mil sistemas de GD solar

No Brasil, o ano de 2023 ultrapassou a marca de 500 mil sistemas de geração de energia solar instalados no segmento de GD (geração distribuída), mostram dados atualizados pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

De acordo com o Órgão Regulador, entre os dias 1º de janeiro e 23 de outubro, foram mais de 497,7 mil conexões contabilizadas em microgeração (com até 75 kW de potência) e 11,6 mil de minigeração (entre 75 kW e 3 MW).

Este já é o segundo melhor resultado anual da história do segmento – que, por enquanto, perde apenas para o mesmo período do ano passado. Em 2022, foram pouco mais de 609 mil sistemas de GD solar conectados entre 1º de janeiro e 23 de outubro.

Conforme esperado, os consumidores residenciais são os que lideram o uso da energia solar distribuída em quantidade de sistemas conectados à rede (387 mil) em 2023. Em seguida, vêm os pequenos negócios dos setores de comércio e serviços, com 53 mil conexões.

Entre os estados, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Bahia foram os que mais instalaram sistemas de GD solar no ano, com 83,9 mil; 58,1 mil; 46,8 mil; 37,5 mil; e 26,3 mil, respectivamente.

Todos esses dados apresentados apenas reforçam o interesse dos consumidores brasileiros em gerar a sua própria energia, a fim de não ficarem mais reféns dos consecutivos aumentos que vem ocorrendo há anos nos preços das tarifas de energia.

Vale lembrar que, especificamente em 2023, o mercado brasileiro de energia solar distribuída enfrentou um primeiro semestre desafiador em razão de uma série de fatores, como a alta taxa de juros altos (quase três vezes acima da inflação) e a dificuldade para aprovação de crédito junto a bancos e instituições financeiras.

Para analistas do mercado, se não fossem esses fatores, o segmento estaria apresentando, neste ano, números ainda melhores em relação aos atuais.

Somando o total de sistemas fotovoltaicos de GD instalados desde o início da expansão da fonte no Brasil, já são mais de 2 milhões de conexões em operação e que, juntas, beneficiam mais de 3,1 milhões de unidades consumidoras em todo o país.

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Cresce o uso da energia solar nos estados do Acre e Rondônia

O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) autorizou na semana passada o acionamento das termelétricas Termonorte 1 e 2, que juntas somam pouco mais de 410 MW de potência, para reforçar o suprimento de energia elétrica nos estados do Acre e Rondônia.

A decisão foi necessária por causa do desligamento da hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW), cuja operação precisou ser interrompida devido à seca que reduziu pela metade a vazão do Rio Madeira (RO) neste ano.

Essas termelétricas têm um custo de operação muito superior ao das hidrelétricas e das renováveis, além de utilizar o óleo diesel como combustível, extremamente poluente por emitir gases causadores do efeito estufa.

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) trabalha para regularizar a operação das duas usinas, que estão em outorgas, descontratadas e não possuem contrato de conexão com a rede de transmissão, segundo entrevista do diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, ao Valor Econômico. Ainda não há previsão de quando as usinas entrarão em operação.

Por outro lado, a energia solar está em expansão nos dois estados do Norte do país, com cada vez mais consumidores procurando gerar a própria energia limpa e renovável.

Levantamento feito pelo Canal Solar, com base em dados da ANEEL, aponta que o número de sistemas fotovoltaicos em operação no Acre e em Rondônia cresceu, respectivamente, 27,34% e 28,15% na comparação de 2022 com o ano anterior.

Rondônia é 22º estado em potência instalada de energia solar no ranking da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar), com 247,3 MW de capacidade. No total, são 19.186 sistemas, sendo que todos os 52 municípios rondonienses têm ao menos uma unidade gerando a própria energia. De janeiro a outubro, 4.311 sistemas foram adicionados, somando 58,3 MW.

Já o Acre ocupa a 25ª posição no ranking, com 63 MW e 5.029 sistemas espalhados em 21 dos 22 municípios do estado. Em 2023, foram 1.114 sistemas adicionados ou 17,5 MW.

A produção própria de energia vem crescendo em todo o Norte país, região onde as revisões tarifárias das concessionárias de energia têm elevado consideravelmente a conta de luz da população.

No Norte, há 131.402 sistemas de energia solar, somando 1.564 MW. Em 2022, foram instalados 44.436 unidades de geração distribuída, crescimento de 63% em relação a 2021. Até o início de outubro, foram instalados 38.892 sistemas na região, somando 476,9 MW, potência superior ao das duas termelétricas a óleo diesel.

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Consolidação: setor solar segue o caminho feito por mercados maduros

Com a alta demanda dos consumidores brasileiros por sistemas de energia solar verificada nos últimos anos, o setor fotovoltaico deve assumir patamares de crescimento mais estáveis nos próximos 12 meses, com maior procura por tecnologias sinérgicas de eletromobilidade, como carregadores de veículos elétricos, e baterias para armazenamento de energia combinado com painéis solares.

A análise é de Marcelo Abuhamad, CEO do Bonö Group, holding que reúne várias empresas da cadeia de valor de setor de energia no Brasil. Segundo o executivo, embora o setor tenha registrado crescimento de conexões este ano, resultado das vendas de 2022, o ritmo tem ocorrido de forma mais gradual em comparação com os períodos anteriores.

“Nos próximos anos, o setor de energia continuará crescendo e deve ser impulsionado também pela maior inserção da fonte solar na cadeia da matriz energética, pela facilidade e pela agilidade de implementação da tecnologia”, comenta.

“Ainda há muito espaço para as usinas crescerem no país, bem como há muito espaço para inovações no setor, mas esse crescimento ocorrerá de forma mais natural. A tendência é que haverá mais usinas, tanto centralizadas quanto distribuídas, cujos custos para implantação estão cada vez menores, melhorando o payback e o retorno financeiro projetado para as novas usinas. O horizonte de crescimento é enorme, pois há no país quase 100 milhões de unidades consumidoras e apenas 3 milhões abastecidas por sistemas fotovoltaicos”, acrescenta Abuhamad.

Para 2024, o executivo acredita que haverá mais atratividade e viabilidade para a eletromobilidade. “O mercado de energia renovável é de interesse internacional, por isso o apelo para tantas facilidades sendo destinados ao setor. E a expectativa é ampliar o uso da energia fotovoltaica não só para abastecer estabelecimentos e domicílios, mas também para pontos de recarga de veículos elétricos”, destaca.

Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), as vendas de veículos elétricos no país tiveram o melhor desempenho da história neste primeiro semestre. Foram mais de 32,2 mil emplacamentos de janeiro a junho de 2023, 20% do total de VLEs do Brasil. A frota total chegou a 158.678 VLEs até o final do primeiro semestre, atingindo um crescimento de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Tal crescimento é acompanhado pela maior presença de pontos de recarga. Segundo a ABVE, o total dos eletropostos no país foi de aproximadamente 3.200 unidades de carregamento público, até o final do primeiro semestre de 2023. E a perspectiva do setor é chegar em mais de 10 mil unidades até 2025, públicos e semipúblicos.

Abuhamad afirma ainda que esse mercado, já consolidado na Europa, está sendo cada vez mais incentivado e absorvido pelo resto do mundo. “O Brasil tem poder de capital de compra e acesso a crédito para manter o desenvolvimento de forma crescente. A tendência dos próximos anos é primeiro acentuar a mobilidade, a infraestrutura de carregamento veicular, e logo na sequência, o crescimento o uso de sistemas de armazenamento em banco de baterias”, afirma.

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Brasil registra recorde de expansão da energia solar em 2023

Mais de 88% da capacidade instalada na matriz elétrica brasileira neste ano têm origem nas fontes solar e eólica. De acordo com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), de janeiro até agora, a expansão da capacidade instalada da matriz elétrica foi de 7 GW, sendo que 6,2 GW foram solar (3 GW) e eólica (3,2 GW).

Este é o maior incremento da capacidade de geração solar centralizada da história no Brasil. Em 2022, por exemplo, o acréscimo no ano todo foi de 2,5 GW, inferior aos 3 GW registrados até o momento.
Energias renováveis

Ainda de acordo com a Agência, já são 18 mil painéis solares instalados em território nacional, capazes de produzir uma potência de 10,3 GW.

Importante frisar que este montante não considera a micro e minigeração distribuída – sistemas instalados nas residências, comércios, fábricas ou pequenas plantas conectadas diretamente na rede das concessionárias de distribuição.

Referente às outras fontes de energia renováveis, o SIN (Sistema Interligado Nacional) registra a presença de 954 turbinas eólicas, que representam 10,3 GW em valores nominais.

O potencial hidráulico do país também é amplamente conhecido. As 1.351 usinas hidrelétricas atualmente representam 56,17% da capacidade, com uma potência de 109,8 GW. Além disso, a biomassa é uma das fontes utilizadas pelo Brasil e responde por 16,7 GW, em 634 plantas.
Investimentos para energias renováveis

Conforme informado pelo Canal Solar, o setor de geração de energia deve ser impulsionado pelo novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ao todo, serão R$ 73,1 bilhões de investimentos em projetos de geração de energia, sendo R$ 64,8 bilhões destinados às fontes renováveis de energia.

As usinas de energia fotovoltaica responderão por 8,5 GW, mais da metade da geração de energia prevista pelo novo PAC. O valor de investimento previsto para essa modalidade é de R$ 41,5 bilhões.

A geração de energia eólica receberá R$ 22 bilhões, com 120 projetos. Os ventos serão responsáveis por acrescentar 5,2 GW ao sistema elétrico. Estão confirmadas novas 20 pequenas centrais hidrelétricas a um custo de R$ 1,3 bilhão.

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Brasil tem mais de 150 GW outorgados em energias renováveis, diz ANEEL

A capacidade de geração de energia no Brasil deverá ter um crescimento expansivo nos próximos anos por causa das fontes renováveis.

A afirmação foi feita por Sandoval Feitosa, diretor-geral da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), nesta terça-feira (05), em evento de comemoração dos 25 anos da Huawei no país.

Atualmente, o Brasil conta com uma capacidade instalada de 195 GW de potência por meio de todas as suas fontes de energia.

De acordo com o executivo, mais de 150 GW já estão outorgados somente a partir das fontes renováveis.

Segundo Feitosa, grande parte da expansão prevista ocorrerá por meio da implantação de usinas de geração de energia solar e eólica.

“A entrada dessas fontes tem mudado consideravelmente nossa matriz elétrica. Isso impõe desafios no nosso inteligente SIN (Sistema Interligado Nacional)“, disse.

Entre os desafios, Feitosa pontuou que será preciso preparar os sistemas de transmissão, operação e distribuição para assegurar ao mercado a geração e viabilidade de investimentos.

O executivo também falou durante o evento que o setor elétrico se inspira no de telecomunicações para promover o Mercado Livre de Energia, que a partir de janeiro de 2024 será ampliado para permitir que mais consumidores tenham acesso à energia por meio do fornecedor que preferirem.

“Temos um exemplo de vanguarda do setor de telecomunicações. Quando falamos do Mercado Livre de Energia, temos o exemplo da portabilidade, do acesso a qualquer operadora”, comentou.

“Seguramente, existem usuários de telefonia no Brasil que talvez nem tenham pacote de voz, apenas de dados, porque só precisam disso. É essa liberdade que queremos também no setor elétrico”, ressaltou Feitosa.

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Resoluções do governo elevam a carga de impostos em equipamentos de energia solar, qual o impacto?

Nas últimas semanas, o Gecex (Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) publicou três novas resoluções acerca do regime de ex-tarifário: a Resolução 500/2023, a 512/2023 e a 514/2023.

As resoluções publicadas nas últimas semanas revogaram as isenções de imposto de importação para mais de 200 equipamentos fotovoltaicos, entre eles inversores e painéis solares, e trouxe novidades para a obtenção de ex-tarifários no Brasil.

Na Resolução 500/2023, de 21 de julho, o GECEX revogou 144 ex-tarifários para o NCM 8541.43.00, que é de módulos solares fotovoltaicos, sendo que 90 foram por “produção nacional equivalente” e 54 por “tecnologia superada”.

Já a Resolução 514/2023, de 16 de agosto, revogou os inversores fotovoltaicos (NCM 8504.40.90). Estes ex-tarifários foram revogados para equipamentos de baixa potência. O prazo para estes ex-tarifários entrarem em vigor é de 60 dias após a publicação.

O Canal Solar conversou com empresas que atuam na fabricação, importação e distribuição destes equipamentos para saber o impacto no preço destes produtos e consequentemente no mercado e no andamento dos projetos.

Na avaliação de Wladimir Janousek, diretor-geral da JCS Consultoria e Serviços e especialista em mercado internacional, o pleito da indústria nacional deveria ser feito de uma forma mais adequada. “Ele é justo no sentido de buscar competitividade, mas da forma que está sendo feito pode colocar todo o mercado contra a indústria nacional”, pontua.

Ele avalia que esse pleito deveria considerar uma estratégia e uma política industrial que considerasse uma transição. “O que isso quer dizer? Vai gradativamente reduzindo o número de ex-tarifários, de forma que a indústria nacional tenha capacidade de suprir este mercado e, consequentemente, ter volume de escala para poder ter uma competitividade maior no preço”, analisa.

“A questão da transição é necessária para fomentar a indústria nacional e, ao mesmo tempo, não impactar os grandes projetos que estão em andamento e que já foram desenhados para usar módulos a um preço (com a isenção) e não serão viabilizados se mudar essa premissa”, explica Janousek.

Ele ainda pontua que nos últimos três anos, o mercado solar aprendeu a trabalhar com os ex-tarifários, sendo um dos segmentos que mais solicitou pleitos e mais teve concessões aprovadas. E devido a isso, grande parte do crescimento no mercado fotovoltaico foi alavancado por meio destas isenções e/ou reduções de impostos.

E o que esperar daqui para frente Na avaliação de Janousek, haverá um repasse e um impacto no preço final. “Isso pode representar certo resfriamento no crescimento, em especial, em projetos de geração centralizada que a sensibilidade do preço é muito crítica. Então, existem projetos que talvez sejam revisados, reduzidos ou podem até serem cancelados ou postergados”, comenta.

A opinião de Janousek é compartilhada por profissionais que atuam diretamente na distribuição de equipamentos.

“A queda dos ex-tarifários sem uma estratégia sólida e escalonada irá resultar apenas em aumento de preços ao consumidor, prejuízo para nosso mercado e um ineficaz fortalecimento da indústria brasileira”, avalia Ricardo Mansour, sócio fundador da Bluesun.

Outro ponto destacado pelos profissionais é a limitação da indústria nacional de equipamentos fotovoltaicos. Na avaliação do Mansour, o Brasil não dispõe de todas as tecnologias disponíveis atualmente, pois a indústria nacional não tem condições técnicas.

“O absurdo disso é que quando olhamos a essência do ex-tarifário, que é além de fomentar o setor, trazer tecnologia para o país quando não há similar nacional, o pleito dos fabricantes nacionais é a revogação massiva dos ex-tarifários, mesmo que seja outra tecnologia empregada. Vemos claramente o viés econômico, a questão é prejudicar os importados seja qual for a consequência desastrosa para nosso mercado e consumidor”, completou Mansour.

Na opinião dele, “a indústria nacional já goza de incentivos fiscais e programas do governo, mas infelizmente, visando benefícios próprios e de poucos, prejudicam todo um setor e o nosso país. Também queremos o desenvolvimento da indústria nacional, mas não desta forma, mas sim de forma estruturada/estratégica, gradativa, com desenvolvimento tecnológico e políticas desenvolvidas com o governo”.

“Com a queda dos ex-tarifários, obrigatoriamente, os painéis ficarão mais caros, de pelo menos 6% no custo”, avalia Mário Viana, CEO da Sou Energy.

Viana também classifica a queda dos ex como algo negativo. “Na minha opinião, não tem sentido o ex cair porque a indústria brasileira, apesar de ter um produto semelhante, não tem capacidade produtiva para atender o mercado como um todo. A queda do ex prejudica mais que beneficia”, avaliou.

Este aumento da carga de impostos deve anular as recentes quedas nos preços dos equipamentos no mercado mundial.

Indústria nacional

Segundo Murilo Bonetto, gerente de P&D da fabricante de módulos fotovoltaicos Sengi. Ele pontua que “este movimento não é só para o mercado solar, é para a indústria como um todo. Voltaram as regras como eram antes de 2019 e agora o fator para conceder ex-tarifários será se o Brasil produz o bem que cumpre a finalidade final que, no caso do mercado fotovoltaico, é a geração de energia elétrica através da luz do Sol”.

Ele explica que o regime de ex-tarifário é uma política de competitividade industrial que existe há muitos anos, porém em 2019 houve uma mudança que acabou colocando fatores que possibilitam um pedido de um ex-tarifário mesmo com produção nacional.

Bonetto destaca que essa decisão impactou toda a indústria brasileira, não somente a fotovoltaica, levando muitas empresas a fecharem ou a saírem do Brasil. “Começou a ter essa distorção e a indústria nacional perdeu muita competitividade”, pontuou.

Ele ainda comenta que com essa mudança em 2019, a importação de módulos chineses expandiu, uma vez que eles são mais baratos e estavam isentos do imposto de importação. Isso, segundo ele, prejudicou o crescimento da indústria brasileira fotovoltaica.

Ele pontua que com a queda dos ex-tarifários, além do desenvolvimento da indústria nacional, o Brasil poderá diminuir a sua dependência do mercado chinês para obtenção de insumos e para fabricar seus produtos.

“É um primeiro passo para a isonomia competitiva. Claro que os custos no Brasil são maiores do que a fabricação da China, que é subsidiada pelo Governo chinês. Porém, com a situação anterior era impossível a indústria brasileira ter um volume de escala para ficar mais barato. Sem o ex-tarifário, é possível ver um horizonte para que seja feito o escalonamento da produção e conseguir ser mais competitivo”, comenta.

“Escalando a produção local, conseguimos viabilizar a industrialização brasileira upstream – de fornecedores de vidros, encapsulantes, caixas de junção e até mesmo células”, avalia.

Ainda de acordo com ele, este último ponto trará mais independência e o Brasil não sofrerá com falta de insumos e alta no frete, como visto durante a pandemia devido a dependência da China.

Ele também pontuou que a geração de emprego e renda não será prejudicada. “Tem espaço para todos. E o objetivo é gerar empregos de qualidade e fazer com que as pessoas tenham acesso à indústria de semicondutores. Geramos mais de 300 empregos diretos e 2 mil indiretos hoje, com um aumento da participação da indústria nacional no mercado, nossos números podem chegar a mais de 10 mil empregos diretos e indiretos e R$ 300 milhões investidos em P&D até 2025”, conclui Bonetto.

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