Tag - Brasil

Brasil terá 90% da adição de solar distribuída na América Latina até 2028

O Brasil representará 90% de um total de 50 GW de energia solar distribuída previstos para serem instalados na América Latina até 2028. A expectativa é que o país adicione em média 7 GW por ano entre 2023 e 2028. As informações são de um estudo divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Segundo a IEA, o generoso sistema de compensação de energia brasileiro levou a um boom de crescimento da energia solar distribuída, com o país adicionando mais de 15 GW desde 2015.

No entanto, desde janeiro de 2023 houve uma mudança no sistema de medição líquida, que passou a cobrar dos consumidores o pagamento gradual pelo uso da rede das distribuidoras.

“Embora em muitos mercados mudanças drásticas nas políticas ou nas compensações muitas vezes levem a declínios dramáticos na nova capacidade, espera-se que o setor solar fotovoltaico distribuído do Brasil permaneça forte, com adições médias de mais de 7 GW por ano até 2028”, diz o relatório.

Para a Agência, esse cenário é reforçado em razão do crescimento acentuado das tarifas de energia no Brasil combinado com a redução dos custos dos sistemas fotovoltaicos no país.

“Assim, a combinação destes fatores significa que o período de retorno dos sistemas residenciais aumentou apenas moderadamente, de uma média de pouco menos de 5 anos para cerca de 5,6 anos, ajudando a impulsionar o crescimento.”
Contratos bilaterais puxam a expansão da geração centralizada

Segundo o estudo, a América Latina acrescentará mais de 165 GW de capacidade instalada de energia renovável entre 2023 e 2028, liderada pela energia solar e seguida pela energia eólica. Quatro mercados representam 90% das adições da região: Brasil (108 GW), Chile (25 GW), México (10 GW) e Argentina (4 GW).

A IEA destaca que os leilões promovidos por governos não são mais os principais responsáveis pela expansão das fontes solar e eólica de grande porte, sobretudo nesses quatro países.

“No Brasil, acordos bilaterais no mercado livre permitem mais de 85% das adições de energia solar fotovoltaica e eólica em escala de serviço público no período de previsão. Na Argentina, até 80% das adições são provenientes de PPAs (Power Purchase Agreement) corporativos, enquanto a maioria das adições no Chile é por meio de PPAs corporativos ou projetos comerciais.”

Na visão da agência, as empresas que buscam energia renovável estão focadas em ter maior certeza sobre os preços, bem como visam alcançar objetivos de descarbonização de suas atividades, com foco na agenda ESG.

“Embora os leilões já não sejam o principal motor de crescimento no Brasil e no Chile, o aumento da procura e o ajuste dos preços poderão levar a uma maior participação, acelerando a expansão em ambos os países. Na Argentina, os desafios macroeconômicos dificultam o crescimento.”

A IEA também destaca a importância da expansão dos sistemas de transmissão e da implantação de tecnologias de armazenamento de energia para apoiarem o crescimento das fontes renováveis.

Leia mais...

Projeto de uso de energia fotovoltaica na agricultura avança em MG

A EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) concluiu outra etapa do projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D 671) que analisará a produção simultânea de alimentos e energia elétrica. O projeto utilizará unidades-piloto com plantios agrícolas sob painéis fotovoltaicos.

A iniciativa conta com a parceria da CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) e com o CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).

Estudos de viabilidade definiram quais seriam as culturas trabalhadas sendo elas melão, morango, feijão e alface. A execução do projeto será no Campo Experimental Mocambinho em Jaíba, no norte de Minas Gerais.

Além disso, pastagens para bovinos também serão trabalhadas no Campo Experimental Santa Rita em Prudente de Morais.

A duração do projeto será de 30 meses, e vai contar com avaliações sobre produtividade, tempo de ciclo de cada plantio, presença de pragas, eficiência do uso da água e qualidade dos alimentos.

De acordo com a equipe responsável, farão a análise com base em quatro módulos de 300 m² a 400 m² para cada cultura. Os testes serão realizados tanto com placas mono quanto bifaciais em sistemas fixos e tracker.

“Escolhemos essas culturas por terem ciclos de produção mais rápidos, que se encaixam ao nosso cronograma, e também por serem representativas das regiões onde os experimentos serão conduzidos”, explicou Pollyana Mara de Oliveira, coordenadora do projeto e pesquisadora da EPAMIG.

“Vamos comparar os índices de produção vegetal e animal de sistemas agrivoltaicos com aqueles de cultivos tradicionais, sem as placas fotovoltaicas, para avaliarmos com precisão os resultados dessa prática inovadora”, acrescentou Pollyana.

Para o início do projeto ainda é necessário finalizar a aquisição das placas fotovoltaicas, sementes, adubo e demais materiais para as instalações.

De acordo com Pollyana, a previsão é que concluam os cálculos estruturais ainda neste mês e em maio comecem a execução.

Tanto para as instalações quanto para definições técnicas, há a consultoria da organização alemã Fraunhofer-Gesellschaft, além do financiamento vindo de um segundo projeto de pesquisa junto a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e à Fundação de Amparo à Pesquisa do estado.
Energia Sustentável em MG

Segundo dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), Minas Gerais é o estado com a maior quantidade de potência de energia fotovoltaica com 3,5 GW em 853 municípios .

“Estamos entrando em um mundo novo relacionado à produção de energia e é muito gratificante para a Epamig estar envolvida em um projeto como este, que vai trazer soluções diversificadas para os produtores rurais”, disse Trazilbo de Paula, diretor de Operações Técnicas.

“Além de evitar a desertificação de áreas cultiváveis, acreditamos que os resultados vão oferecer a possibilidade de implantação de culturas que estejam sofrendo com o aumento gradativo da temperatura global, pois as placas fotovoltaicas diminuem a temperatura nos sistemas e geram uma maior retenção da água no solo”, completou.

O projeto prevê análises energéticas para compreender como o microclima gerado pela evapotranspiração do plantio afeta a geração de energia fotovoltaica. Além disso, haverá uma análise sobre a viabilidade econômica da instalação desses sistemas em propriedades rurais.

Pollyana ainda afirma que o projeto visa desenvolver um modelo economicamente viável para que os produtores tenham uma alternativa de geração de renda.

“É um projeto com grande impacto ambiental e social, pois ele vai criar protocolos para que o produtor não precise trocar a atividade agrícola pela produção de energia fotovoltaica, podendo conciliar ambas. Esperamos que Minas Gerais se torne um espelho para o restante do Brasil no que concerne à produção de energia agrivoltaica”, concluiu.

Donorvan Fagundes, gerente de PDI, Inovação e Transformação da CEMIG destacou a importância da conclusão desta etapa, e como influenciará ao longo do projeto.

“O projeto está em um momento fundamental de pesquisa, principalmente quando nos referimos às adaptações das culturas nos respectivos ecossistemas. A forma como os equipamentos deverão ser instalados, de maneira que possamos vincular a melhor produtividade com a maior geração de energia possível, é o desafio que teremos nos próximos meses”, finalizou.

Leia mais...

Novembro foi o mês com maior consumo médio de energia elétrica em 2023

As altas temperaturas registradas em novembro impulsionaram o uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado por todo o país e aumentaram o consumo brasileiro de energia elétrica em 11,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Segundo dados do Boletim InfoMercado Quinzenal, da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), foram 72.261 MW médios registrados no período. Em 2023, nenhum outro mês do ano tanto consumo por energia elétrica.

O aumento foi mais significativo no mercado regulado, no qual as residências e as pequenas empresas contratam eletricidade diretamente das distribuidoras. O segmento apresentou crescimento de 15,2% no comparativo anual.

A indústria e grandes empresas que estão no mercado livre apresentaram um avanço de 5,2%, influenciado tanto pelo calor quanto pela boa performance de setores como serviços e comércio.
Consumo de energia elétrica por ramo de atividade econômica

As maiores altas de novembro, na comparação com o mesmo período de 2022, foram observadas pela CCEE nos setores de serviços (16,2%) e comércio (14,1%).

“São ramos que, além do impacto da temperatura, com a necessidade de um uso mais intenso de equipamentos de refrigeração em shoppings, hotéis e supermercados, também usaram mais energia para garantir estoque para as festas de fim de ano. Apenas a indústria química e a fabricação de veículos tiveram carga menor, desafiados pelo mercado internacional”, destaca a CCEE.

Segundo o órgão, todos os estados do Brasil apresentaram alta no consumo de eletricidade em novembro, frente a igual período do ano passado. Destaque para o Espírito Santo (28,4%), Mato Grosso (28%), Maranhão (22,9%), Acre (19,3%) e Rio de Janeiro (19,2%).
Geração de energia

As hidrelétricas tiveram um dos melhores desempenhos do ano, entregando mais de 51.000 MW médios para o SIN (Sistema Interligado Nacional), avanço de 2,6% no comparativo anual.

As eólicas e solares também bateram recorde de geração no ano, produzindo, juntas, mais de 14.500 MW médios, complementando a oferta de energia no país.

As usinas eólicas foram responsáveis pela produção de 11.372 MW médios em 2023, um aumento de 35,8% em relação aos 8.374 MW médios do mesmo período do ano anterior.

A produção de energia solar, por sua vez, registrou uma expansão de quase 90% na comparação entre os dois períodos: 1.656 MW médios em 2022 contra 3.134 MW médios em 2023.

Já as usinas térmicas aumentaram a sua participação em 23,5%, puxadas pela maior representatividade das usinas a biomassa, que usam a cana-de-açúcar como principal matéria-prima.

Leia mais...

Boletim InfoLink: preços dos módulos fotovoltaicos se estabilizam

Esta semana, os preços dos módulos estabilizaram temporariamente, segundo levantamento da Infolink Consulting. Para módulos monofaciais PERC de 182 mm, os preços se fixaram em RMB 0,9-1,03/W, se aproximando de RMB 0,92-0,93/W para novos pedidos.

Alguns fabricantes de módulos têm preços abaixo de RMB 0,9/W ou até mesmo RMB 0,85/W na mesa. Para módulos monofaciais PERC de 210 mm, os preços ficaram entre RMB 1,03-1,1/W, atingindo RMB 0,95-1/W para novos pedidos.

De acordo com a consultoria, a diferença de preço entre módulos de 182 mm e 210 mm gradualmente se estreitará após a conclusão dos pedidos e diminuirá lentamente no futuro.

Os preços de módulos TOPCon variaram de RMB 0,9/W a RMB 1,18/W. Os pedidos anteriores foram entregues a RMB 1,08-1,18/W esta semana.

Os fabricantes de módulos começaram a receber pedidos a RMB 0,98-1,05/W, potencialmente RMB 0,97-0,98/W. As negociações para os pedidos do próximo ano têm visto cotações de preços de RMB 0,9/W, mesmo RMB 0,88/W.

Já os preços dos painéis HJT permaneceram estagnados devido a preocupações com custos e ao mercado ainda em desenvolvimento. Os preços atualmente variam de RMB 1,25/W a RMB 1,35/W na China, enquanto se mantêm estáveis em USD 0,160-0,170/W nos mercados fora da China.
Preços das células apresentam leve queda

Os preços das células tipo P continuaram a cair esta semana, caindo 4-5% em relação à semana passada. Os preços de negociação das células M10 caíram na faixa de preço baixo da semana passada, principalmente em RMB 0,38/W. As células G12 foram negociadas a RMB 0,43/W após contínuas reduções de preços.

Para células M10 tipo N, os preços convencionais caíram ligeiramente para RMB 0,48-0,49/W esta semana. As células G12 HJT, principalmente para uso interno e menos para vendas externas, tiveram preços de 0,65-0,7 RMB/W para células de alta eficiência.

Devido ao declínio contínuo na demanda por produtos PERC 182 mm, a diferença de preço entre as células do tipo n e do tipo p aumentou, atingindo RMB 0,1/W.

Segundo a Infolink, na quarta-feira (13) a célula M10 estava sendo cotada em RMB 0,45/W. Ainda de acordo com a consultoria, com a queda dos preços dos wafers, os preços das células M10 TOPCon podem cair ainda mais na próxima semana.

Sobre estoque, a Infolink informou que os níveis de estoque variam entre os diferentes fabricantes de células. Alguns observaram um aumento lento no estoque, principalmente de céulas PERC, enquanto alguns mantiveram os níveis de estoque dentro de uma semana de produção devido a cortes drásticos na produção.

Devido à baixa lucratividade, a maioria dos fabricantes reduziu a produção de células PERC de 182 mm. Outros fabricantes modificam as linhas de produção para células retangulares de 183,75 mm, para as quais acreditam que a demanda do mercado permanece. Vários fabricantes fecharam linhas de produção obsoletas de PERC para evitar perdas de caixa.

“A falta de lucratividade em todo o setor leva os fabricantes a apresentarem estratégias e decisões variadas. Alguns reduziram ou encerraram a produção, enquanto outros utilizam as suas reservas de dinheiro para sustentar a produção e competir pela quota de mercado”, avaliou a Infolink.

Leia mais...

Conta de luz deverá ter aumento médio acima da inflação em 2024

A conta de luz dos consumidores brasileiros deverá ficar mais cara a partir do ano que vem, com um aumento médio em todo o país de 6,58% e podendo chegar a 10,41%, segundo previsão da Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia).

Trata-se de uma elevação que, se confirmada, ficará acima da inflação prevista para este ano, que é de 4,53%, e também do ano de 2024, de 3,91%, segundo projeções do Banco Central.

Os cálculos levaram em consideração os custos das distribuidoras com encargos. As maiores elevações no valor da tarifa de energia elétrica deverão afetar os moradores que vivem sob a área de concessão das distribuidoras Equatorial Goiás e Alagoas; além da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).

Na concessionária goiana, a elevação pode passar dos 20% em 2024, enquanto que em Minas Gerais e Alagoas, os reajustes podem superar a barreira dos 15% e dos 10% de aumento, respectivamente.

Atualmente, os consumidores brasileiros são os que sentem o maior peso da conta de luz em seus orçamentos na comparação com outros 33 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo a Abrace.

Isso quer dizer que, considerando o PIB per capita, o impacto do gasto com energia pesa mais para os brasileiros do que para os consumidores de outros países, como Estados Unidos, Espanha e Canadá. Em geral, um quarto do que uma família gasta por mês no Brasil é com energia.

Além do Brasil, completam a lista dos dez países em que a conta de luz mais atrapalha a vida dos consumidores: a República Tcheca; a Grécia; a Espanha; a Costa Rica; a Itália; o Chile; a Letônia; a Eslováquia e Portugal.

Leia mais...

Três em cada quatro indústrias do país têm interesse em energia solar

A energia solar é a fonte renovável que desperta o maior interesse dos empresários brasileiros que atuam no segmento das indústrias. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) nesta sexta-feira (24).

De acordo com o estudo, 75% dos entrevistados disseram ter muito ou algum interesse em adotar esse tipo de fonte energética. Em segundo lugar, aparece o hidrogênio verde ou de baixo carbono, com 19% e, em terceiro, a eólica, com 13%.

O levantamento mostra também que 53% das indústrias já têm projetos ou ações voltadas para o uso de fontes renováveis. Nestas empresas, a fonte solar é a que concentra o maior foco de iniciativas (91% das companhias). Biomassa (5%), eólica (3%) e hidrogênio de baixo carbono (1%) respondem pelas demais fontes estudadas.

“O Brasil se encontra na vanguarda da transição energética, com elevada participação de fontes renováveis na matriz energética, e segue em uma trajetória sustentável, ampliando e diversificando, cada vez mais, o uso dessas fontes limpas e renováveis”, afirma Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI.

A pesquisa ouviu 1.004 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes em todos os estados do Brasil. O levantamento foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa em Reputação e Imagem, da FSB Holding, entre os dias 3 e 20 de novembro.
Financiamento e tecnologias verdes

De acordo com o estudo da CNI, a necessidade de expansão do número de indústrias que conseguem acessar formas de financiamento para iniciativas sustentáveis é uma das necessidades apontadas pelo setor privado para impulsionar uma economia de baixo carbono, assim como a disseminação de tecnologias verdes.

Do total de entrevistados, 67% demonstraram interesse em acessar linhas de crédito com esse objetivo, mas nem todos concretizaram essa intenção. Apenas 16% buscaram algum incentivo de crédito público para projetos sustentáveis e 6% conseguiram.

O crédito privado se mostrou mais acessível na pesquisa aos empresários: 24% buscaram e 15% conseguiram. Para 62%, o acesso ao financiamento para ações em sustentabilidade é considerado difícil ou muito difícil.
A dificuldade de crédito ou financiamento, inclusive, aparece como a terceira principal barreira para implantar ações de sustentabilidade (apontada por 22%), atrás apenas da falta de incentivo do governo (51%) e falta de cultura de sustentabilidade no mercado consumidor (39%).

Quanto à adoção de novas tecnologias para impulsionar a produção sustentável nas fábricas, 75% têm interesse em linhas de crédito para novas tecnologias verdes. Outros 66% disseram precisar de novas tecnologias de baixo carbono e 59% têm interesse em modernização de maquinário para atingir metas de descarbonização.

Também nesse ponto, a atuação do poder público é considerada insuficiente: 88% acreditam que há falta de incentivo tributário para fazer esse tipo de mudança.
Mercado de carbono

Além dessas medidas, a criação de um mercado regulado de carbono é apontada pelos entrevistados como um avanço necessário na agenda sustentável.

Para 78% dos empresários, a lei que regulamenta a iniciativa, em discussão na Câmara dos Deputados, é considerada importante ou muito importante.

“O mercado regulado de carbono que contemple, por exemplo, a participação da indústria na governança e não considere sanções e penalidade desproporcional, vai contribuir para que o país atinja as metas climáticas”, disse Muniz.

Para ele, a iniciativa precisa ser entendida como uma medida complementar a outras agendas verdes, como a “expansão das energias renováveis, o fortalecimento da política nacional de biocombustíveis e, principalmente, a redução do desmatamento ilegal”, complementou.

Leia mais...

Congresso Brasileiro de GD movimentou mais de R$ 500 milhões em negócios

A 8ª edição do CBGD (Congresso Brasileiro de Geração Distribuída), que aconteceu em Belo Horizonte (MG) na última semana, reuniu diversos players do mercado e movimentou mais de R$ 500 milhões em negócios, segundo dados do Grupo FRG Mídias & Eventos, empresa organizadora do evento.

Tiago Fraga, CEO da empresa, explica que o encontro contou com uma série de novidades em relação às fontes renováveis, com destaque para a GD (geração distribuída), armazenamento da energia e a produção de hidrogênio renovável.

“O evento foi construído em 2016, quando ainda estávamos iniciando no setor. De lá para cá, essa trajetória foi construída e hoje já somamos mais de 20 eventos realizados nos últimos sete anos. Todos eles, voltados para a energia renovável e com foco muito grande na energia solar”, disse ele.

O profissional comentou também que os resultados obtidos durante o congresso mostram que o setor fotovoltaico nacional seguirá sendo um um dos principais propulsores do crescimento das fontes renováveis no país.

“Passamos por um ano, um tanto complicado por mudança de lei, por uma série de fatores que acabaram que mais negócios fossem feitos, empregos fossem gerados e é por isso que para compartilhar conhecimento, trazer informações relevantes vão ajudar o mercado a prosperar ainda mais nos seus negócios” analisou Fraga.

Leia mais...

América Latina deve desempenhar papel essencial na transição energética global

Em um momento de crescente incerteza geopolítica e aceleração das transições energéticas, uma extraordinária dotação de recursos energéticos e minerais e um histórico de liderança em energia limpa posicionam a América Latina e o Caribe para desempenhar um papel cada vez mais influente no setor energético global, de acordo com um novo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia).

O panorama energético da América Latina e Caribe é a primeira análise profunda e abrangente da Agência sobre a região, abarcando toda a gama de combustíveis e tecnologias de energia em todos os seus 33 países.

O relatório concluiu que a riqueza de recursos e de experiência em desenvolvê-los nessas regiões – desde energias renováveis de alta qualidade até petróleo e gás e minerais críticos – poderiam fazer grandes contribuições para a segurança energética global e para transições para energia limpa junto com os pacotes certos de políticas, além de impulsionar a própria transição e gerar grandes benefícios para as economias locais após uma década de crescimento lento.

De acordo com a IEA, o estudo especial baseia-se em contribuições substanciais de funcionários públicos, especialistas e partes interessadas, somando-se a décadas de trabalho da AIE com a região em questões de energia e clima.

“A América Latina e o Caribe já têm um dos setores de eletricidade mais limpos do mundo, oferecendo perspectivas brilhantes para futuras indústrias de energia limpa. As renováveis, lideradas pela energia hidrelétrica, geram 60% da eletricidade da região, o dobro da média global, enquanto alguns dos melhores recursos eólicos e solares do mundo podem ser encontrados em países como Brasil, México, Chile e Argentina”, apontaram.

O uso de bioenergia é generalizado em toda a região, que é uma grande exportadora de biocombustíveis. Enquanto isso, os países da América Latina e do Caribe detêm cerca de 15% dos recursos globais de petróleo e gás natural.

Além disso, a região é muito importante para a produção de minerais que são componentes essenciais de muitas das tecnologias de energia limpa que estão crescendo rapidamente – detendo cerca de metade das reservas globais de lítio e mais de um terço das reservas de cobre e prata. A geração de eletricidade limpa na região estabelece uma base para a mineração e o processamento sustentáveis desses materiais.

“A América Latina e o Caribe podem desempenhar um papel de destaque na nova economia global de energia. Com recursos naturais incríveis e um compromisso de longa data com as renováveis, os países da região já têm uma vantagem inicial em transições seguras e sustentáveis para a energia limpa”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

“O apoio a essas transições estimularia o crescimento das economias locais e colocaria o sistema energético mundial em uma base mais segura. Nosso relatório mostra que a elaboração de políticas de apoio e a cooperação internacional são essenciais para garantir que a região possa aproveitar ao máximo seu notável potencial energético”, ressaltou.

O novo Outlook revela uma lacuna substancial na implementação de políticas. Dezesseis dos 33 países da região se comprometeram a atingir emissões líquidas zero até meados do século ou antes disso, e a maioria apresentou contribuições nacionalmente determinadas mais ambiciosas vinculadas ao Acordo de Paris de 2015.

No entanto, com as configurações políticas atuais, a IEA relatou que a região deve continuar usando combustíveis fósseis para atender a uma grande parte de suas necessidades energéticas, especialmente para o transporte rodoviário, enquanto o progresso em transições para energia limpa deve permanecer limitado.

Em comparação, o relatório concluiu que, se as promessas anunciadas pelos países forem cumpridas, a América Latina e o Caribe veriam as energias renováveis atenderem a toda a nova demanda de eletricidade nesta década.

Isso permitiria, conforme a pesquisa, que as exportações de petróleo aumentasse em quase 2 milhões de barris por dia até 2030, diversificando o suprimento global e aumentando as receitas.

Recursos renováveis competitivos também impulsionariam a produção de hidrogênio de baixo custo e baixas emissões, que pode ajudar a descarbonizar a indústria pesada e o transporte de carga em âmbito nacional e internacional. A produção de biocombustíveis aumentaria, e no longo prazo as receitas vindas de minerais críticos dobrariam para quase US$ 200 bilhões, superando as dos combustíveis fósseis.
Ações para reduzir as emissões

O relatório identificou quatro ações chave para reduzir as emissões de dióxido de carbono relacionadas à energia: acelerar a adoção de energia renovável, promover a eletrificação da indústria e do transporte, impulsionar a eficiência energética para moderar o crescimento da demanda e aumentar o acesso a soluções limpas. “Notavelmente, a aceleração das energias renováveis é responsável por cobrir 40% da lacuna de emissões entre o que é projetado com base nas configurações políticas atuais e um cenário em que as promessas anunciadas são cumpridas”, enfatizaram.

O investimento na região também precisa crescer substancialmente, de acordo com o estudo. Para cumprir essas promessas, o financiamento de projetos de energia limpa precisa dobrar até 2030 para US$ 150 bilhões e quintuplicar até 2050. Nesse cenário, a proporção de investimento em fontes limpas em relação aos em combustíveis fósseis sem abatimento de emissões sobe de cerca de 1:1 atualmente para 4:1 na década de 2030.

Transições centradas em pessoas também devem se concentrar no provimento de acesso universal à energia moderna a preços acessíveis, de acordo com o relatório, pois 17 milhões de pessoas na região não têm acesso à eletricidade e 74 milhões não têm acesso a energia limpa para cozinhar.

Além de combater as emissões de CO2, os principais produtores da região podem reduzir as emissões de metano das suas operações de petróleo e gás em quase 80% a um baixo custo e em cerca de 40% sem custos líquidos, apoiando o Compromisso Global do Metano que a maioria dos países assinou.

Considerando as promessas anunciadas, as emissões resultantes de mudanças no uso da terra e da agricultura, que atualmente representam metade das emissões de gases de efeito estufa de toda a economia da região, são reduzidas até o final da década, chegando a neutralidade de emissões. Cerca de 85% das florestas da região estão em países que fazem parte do Compromisso de Glasgow, que tem como objetivo acabar com o desmatamento até 2030.

“O relatório especial é um marco em nosso trabalho com os países da América Latina e do Caribe, e esperamos contribuir para uma maior colaboração regional e bilateral inspirada por esta análise, que estabelece um caminho claro para que os países atinjam seus objetivos de energia”, comentou Birol. “A IEA está pronta para apoiar os governos da região à medida que avançam em suas transições para energia limpa, construindo um sistema de energia global mais seguro e mais justo neste processo”, finalizou.

Leia mais...